“Quem não se comunica se trumbica” dizia Chacrinha nos anos 50 e “Escreva, pois alguém sempre responde!” são as palavras de Walter Olivas em 2009. O princípio é muito antigo e continua válido! A comunicação não perdeu sua importância dos anos 50 para cá, muito pelo contrário, em tempos de fax, satélite e internet, a comunicação nunca foi tão importante. Quer saber mais sobre sua família? Se comunique! Quer saber como? O Walter te conta…
Há alguns anos, a televisão brasileira ainda não tinha a estrutura que tem agora. Era muito comum algumas cidades do interior receberem as imagens chiadas, com fantasmas (os mais novos nem sabem o que é isso), pois o sinal era escasso. Existiam pouquíssimas retransmissoras. Eu deveria ter uns 16 para 17 anos, garotão do interior, impressionado com as novidades que vinham da capital, cinéfilo de carteirinha, (assisti Os Dez Mandamentos mais de 20 vezes, Onze Homens e um Destino, sei lá quantas vezes, e adorava a Marlene Dietrich em Der Blaue Engel (O Anjo Azul), será que a nossa Ingrid é parenta dela?
Naquela época, eu ficava horas, de madrugada, assistindo à Seção Coruja, (rsrsrsrsrs, esta foi forte), e acompanhava todas as estréias e reprises que apareciam. Não existia controle remoto, bons e idos tempos em que se fazia algum exercício para assistir televisão. Então, naquela época, eu assistia a uma série policial muito boa, no último capítulo, no meio do filme, na hora da revelação, o canal saiu do ar. Indignação, raiva, desespero, fui ao quintal, rodei e desrodei a antena, voltei para a televisão, dei um “tapinha” nela e nada de entrar no ar. No outro dia, escrevi uma carta mal criada para o canal de TV, rasguei o verbo, é claro que com educação, mas rasguei o verbo. Feliz da vida coloquei o selo, e entreguei no correio, naquela época nem se pensava em email. Saí contando as bravatas, conto aqui, conto ali, conto acolá (essa é daquele tempo), até que… Alguém riu e me falou que o transmissor era na minha cidade mesmo e, que por falta de energia no local, havia ficado sem sinal a noite inteira. Naquela hora, sem brincadeira, subiu um calor de vergonha, eu devo ter ficado vermelho como um pimentão.
Caramba, a carta já tinha ido, e com o xingamento para a pessoa errada. Eu queria me esconder, fiquei imaginando alguma possibilidade de a carta não ser entregue ou de não ser lida, e cada vez que eu pensava no assunto, vinha a sensação de vergonha, eu jurei para mim mesmo nunca mais escrever nada para ninguém. Depois eu superei e acabei escrevendo mais algumas bobagens pela vida. Mas, uns dias depois, eu recebi uma correspondência, e adivinha, era a resposta da minha carta. Abri com medo de ler a contestação documentada de ter feito uma tremenda burrice…
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