25/04/2009

Dia da Liberdade

revolucao-dos-cravos

“Nos primeiros minutos do dia 25, uma canção Grandola – Vila Morena transmitida no programa Limite da Rádio Renancença é a senha para a confirmação de que o golpe era irreversível. Até as 16h todos os pontos estratégicos são ocupados. Emissoras de rádio, tv, aeroportos, quartéis, bancos e palácios. Enquanto as forças leais ao regime se rendem, o povo começa a sair as ruas em comemoração. Marcelo Caetano é cercado no Quartel do Carmo e horas depois se rende pacificamente,

O ano era 1974, o país era Portugal e seu povo escrevia a história de forma pacífica, com cravos colocados nos canos das armas dos soldados por uma florista que entregava cravos aos clientes na inauguração de um hotel, este ato simbólico foi seguido por outros soldados, dai o nome “Revolução dos Cravos”.

O vermelho do sangue dos portugueses foi substituido pelo perfume e pelo vermelho de uma flor.

A liberdade volta ao país, o povo sai as ruas e o vermelho e o verde da bandeira portuguesa trêmula na euforia e no sorriso dos portugueses.

A ditadura havia cedido a vontade do povo. Muitos dos que estão lendo este blog são personagens daqueles tempos, ainda guardam as lembranças daqueles dias. Nossa homenagem ao bravo povo português.

O que desejar a um povo que comemora hoje  o maior dos tesouros… A  LIBERDADE ?

Parabéns Portugal.



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Posto em ...da Redação

3 Respostas

  • Maria Matos no dia 25. 04. 2009 à 08:06

    Boa tarde
    Obrigada por se terem lembrado desta data!
    Por isso vou deixar aqui a estória do meu dia 25 de Abril de 1974, na cidade do Porto.
    “O dia começou como os outros – levantar e tratar da azáfama normal antes de sair para trabalhar, depois correr para apanhar o transporte (durante o percurso via-se muita polícia nas ruas mas não despertou preocupação “devia ser alguém do governo que vinha fazer mais uma vizitinha”), deixar o filho no infantário e ir para o trabalho para marcar o “ponto” e começar o trabalho. Não havia ausências! O que queria dizer que todos tinhamos começado o dia dentro da normalidade. Por volta das dez e tal começamos a ver um movimento estranho no serviço como fecharem-nos as portas dos nossos sectores de trabalho a indicação de que não deviamos aproximar-nos das janelas e que não podiamos comunicar (por telefone) com ninguém. Os primeiros momentos foram de incredubilidade – mas afinal o que se está a passar? Porquê aquelas medidas? Os superiores só nos diziam que nos mantivessemos calmos e que as medidas tomadas eram para nossa segurança. Mas que segurança? O pensamento trabalhou e entemos que algo se estava ou tinha passado e que tinhamos o direito de saber – o quê! Fomos para as janelas e apesar dos poucos transeuntes que passavam, conseguimos saber que – havia uma revolução; havia um golpe de Estado; que o exército se tinha revoltado. Tentamos saber se era verdade e como já não era possível aos Superiores manterem-se calados foi-nos dito que havia defacto um levantamento do exército em Lisboa, mas que dentro em pouco tudo voltaria ao estado nornal, por isso que nos mantivessemos calmos. Mas a calma desapareceu, exigiamos que nos abrissem as portas porque queriamos ir para casa, ir buscar os nossos filhos, falarmos com a família. Inútil! Permanecemos nas instalações até ás 17.00h. Nem os colegas que iam almoçar a casa tiveram autorização para o fazer. O dia passava a “passo de caracol”. Só pensavamos na família com quem continuavamos a não poder comunicar. Os nervos “estavam à flor da pele”. Quando finalmente chegaram as 17.00h saímos com o coração bem apertado mas já com uma certeza instintiva – o “tal” levantamento do exército não tinha sido controlado. Uma vez na rua logo ficamos informados do que se passou e estava a passar. Eu só me interressava em ir buscar o meu filho e saber o que era feito do meu marido, que trabalhava na mesma Instituição Pública que eu, mas cujo as funções que tinha eram fora da Instituição, e eu nunca tinha conhecimento para onde se tinha deslocado e nesse dia ainda não tinha chegado. Já com o meu filho junto de mim tive que aguardar mais algumas horas até á sua chegada. O alívio invadiu-me! Finalmente podiamos ir para casa. Mas… não havia transportes. Tivemos que fazer o percurso a pé. Aí começou a nossa aflição. Para o fazermos tinhamos que atravessar o ponto nevrálgico da Cidade – o Centro, onde se localiza a Camâra e tinham-nos dito que aí não deixavam passar. Viamos polícia, militares e multidão por toda a parte. Algumas ruas fechadas. Mas não podiamos pensar “duas vezes” tinhamos que nos dirigir para o Centro e como se costuma dizer “fosse o que Deus quisesse”. Ao chegarmos perto do Centro apercebemo-nos que a única rua aberta era exactamente uma que passa em frente da Camâra. Aí os militares tinham feito “cerco” enquanto a polícia de guarda á Camâra se mantinha no seu posto defensivo. Entretando desemboca na Praça da Liberdade*, que se situa no fim da Avenida em frente á Camâra, uma multidão de pessoas com bandeiras pretas e vermelhas, gritando slogans anti-facistas. Aí tivemos que parar e pensar – arriscamos ou não? Arriscamos. Passamos entre a “ala aberta” dos militares e a multidão que entretando se munira de pedras da calçada “portuguesa” e as lançava aos polícias postados junto da Camâra e que ripostava com tiros de pistola. Com vontade de correr, tinhamos que pensar em proteger nosso filho, então com 1 ano. A estratégia foi colocá-lo no meio dos nossos corpos e caminhar de costas para ambos os lados o que só podia ser feito caminhando devagar. Uma pedra atingiu-me, um tiro acertou na perna de um rapaz. Mas nem por um segundo se parou. Alcançado o outro lado refugiamo-nos algum tempo numa soleira de um prédio para descansar acalmar o filho e foi continuar até casa. Só em casa e pela televisão é que começamos a perceber o que tinha e estava a acontecer. Mas o dia não tinha acabado para nós, e mesmo sem falarmos sabiamos que podiamos correr perigo. Estavam a libertar os presos políticos! Ora nós moravamos a alguns metros da sede e prisão da PIDE/DGS (polícia política) e do Consulado Americano. Isso significou uma noite de tiros, gás lacrimogénico, gritos e som de sirenes. Mas, quando o dia amanheceu a calma relativa voltara e nós fomos trabalhar.” (*A Praça da Liberdade tem este nome desde 1891). Assim se passou o meu dia de 25 de Abril de 1974.
    Maria Matos

  • jose joão louro no dia 07. 05. 2009 à 02:54

    Da madrugada de 25 de abril a 1 de maio ,vivi a maior aventua da minha vida

  • jose joão louro no dia 07. 05. 2009 à 02:54

    Da madrugada de 25 de abril a 1 de maio ,vivi a maior aventura da minha vida

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