19/06/2009

Elogie

elogios

É grande a necessidade de cada um de nós de ser reconhecido e ser aceito e receber, de vez em quando ,um pequeno elogio. Vários profissionais que trabalham com famílias são unânimes em afirmar que as famílias estão ficando cada vez mais frias, menos acalentadoras e difíceis de serem entendidas pelos mais jovens. Esta característica não é exclusividade dos brasileiros ou de portugueses, mas já é comprovada em todas as sociedades conhecidas. O carinho e o afeto se afastam daqueles que só ouvem a cobrança no seu dia a dia e este efeito é acumulativo e prejudicial ao indivíduo.

Hoje as pessoas estão mais intolerantes e cobram constantemente os erros dos outros, isso por estarem também sendo cobradas a cada momento. Me pergunte se você sabe por que é que os relacionamentos estão cada vez mais curtos, por que é que tantos adolescentes estão em busca de emoções fortes e perigosas, por que os velhos se sentem cada vez mais abandonados e eu te responderei: está faltando elogio.

A ausência do elogio e do carinho é uma realidade dentro das famílias e em algumas famílias onde o elogio é um hábito, a diferença que se percebe  no sorriso de seus membros é marcante e perceptível para qualquer um.

A falta de reconhecimento nos leva ao isolamento, e estamos nos isolando, estamos cada um entrando mais em nossas cascas, mal humorados, difíceis de ser “aguentados”, de ser “suportados”, até que uma hora só nos sobrará a solidão, o descaso, o mesmo descaso com o qual tratamos tanta gente.

A ausência de diálogo dentro das famílias, o orgulho com o qual as pessoas se tratam têm levado ao rompimento de elos muito importantes para o desempenho, a produtividade e ao sucesso. Ou seja, para que tenhamos sucesso, para que sejamos produtivos, é necessário que sejamos constantemente reconhecidos, faz bem para o nosso ego e para  a nossa vida. Mas, quando não encontramos apoio, procuramos em outros lugares, e é por isso  que perdemos muita coisa durante a nossa vida, perdemos aquilo que não soubemos reconhecer, perdemos aquilo que não soubemos elogiar.

E se você pensa que elogio são palavras jogadas ao vento, e quem a recebe não sabe que o elogio é sincero e bem vindo, basta sorrir, o sorriso, para começar é um dos maiores elogios que alguém pode receber. Sorria para seu filho, sorria para seu pai, sorria para sua mulher, para seus amigos, para seu chefe e para aqueles que reconhecidamente você sabe que não gostam de você. O sorriso é um elogio marcante, ele diz: Obrigado por você existir.

Sorria, não dói.

Elogie, também não dói.

Seja agradável, isso dói menos ainda.

(texto baseado no livro Terapia do Elogio)

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2 Respostas

  • Elizabeth Kolbe no dia 22. 06. 2009 à 05:14

    Nossa isso caiu como uma luva…lágrimas estam rolando pela minha face…pois é assim que eu estou me sentindo ultimamente…sou dona de casa (desempregada), tenho duas filhas (12 anos e 3anos), meu marido trabalha a 20 anos na mesma empresa (começou com 14 anos), então não sabe o que é procurar emprego, não sabe o quanto é difícil… pois bem sou filha de mineira e alemão (mistura boa), então não querendo me auto elogiar, mas desde os 8 anos adoro cozinhar (hoje tenho 33 anos). Desde cedo cuidei de 3 irmãos homens mais novos que eu, sou a mais velha dos 3 e a única mulher, sempre adorei estudar, e depois de 13 anos sem fazer nenhum curso, resolvi fazer o que gosto, voltei a estudar com a ajuda de meu pai…aí começaram a surgir os ciúmes, tanto da parte de minhas filhas quanto ao do marido…nunca recebi um elogio da parte deles, pelo contrário vivo incentivando à todos em casa, sempre apoiando no que posso…sempre senti que faltava algo…agora encontrei lá fora como vc disse na matéria…sou a mais velha de minha turma e a melhor da classe, todos meus professores tem cargos altos em multinacionais, por causa disso só recebo elogio atrás de elogio, e quando chego em casa pra contar toda feliz, só ouço: “Ah, tá! Depois vc fala, agora hoje ficou faltando isso, aquilo não está bom, pô vc não faz nada durante o dia todo e as coisas continuam assim?” Poxa as coisas continuam do mesmo jeito, sempre bem organizadas, pois detesto bagunça, comida sempre bem feitinha, jantar preparadinho só pra esquentar, continuo ouvindo como foi o dia de todos…mas ninguem quer ouvir o meu, pelo contrário já ouvi: “É só fogo de palha até o final do ano ela desiste!” ou “O que adianta vc estudar se vc ainda continua em casa?”, bom os únicos elogios que ouço são lá de fora…por isso hoje saio muda e volto calada pra minha casa. Mas essa matéria vou enviar pro e-mail deles de alguma forma, pra ver se mudam um pouco a atitude…Beijos e obrigada pela matéria, abraços…

  • Maria Matos no dia 28. 06. 2009 à 12:05

    Boa noite
    Achei interessante o tópico. Mas não somos todos iguais! Pessoalmente não gosto de elogios. Quando me elogiam costumo dizer “hum… isso trás água no bico”, ou seja por norma o elogio quer dizer que a seguir me vão pedir algo em troca, ou é uma forma dissimulada de algum sentimento menos correcto. Não sinto que necessite de elogios para me realizar. Sei quem sou, o que valho, e de que sou capaz! Talvez por isso o elogio não é algo que considere compensatório. Prefiro que seja o “olhar” de quem apreciou algo que tenha feito a compensar-me – sem palavras, sem sorrisos. É assim que procedo quando quero elogiar! Aliás quando algo me desagrada é que não exito em o dizer. Desta forma de actuar não tenho tido mau emprego. Quem tem de lidar comigo sabe que se não me pronunciar é porque agradou. Se eventualmente alguém me elogia agradeço claro está, sou educada, mas não modifica em nada o meu ego. No contexto familiar julgo que a falta de diálogo hoje entre pais e filhos não se alterou tanto assim. É comum ouvir pessoas da minha idade e até mais velhas dizer “nunca vi os dentes a meu pai”. Julgo mesmo que se não existe diálogo existe pelo menos mais liberdade de expressão. Hoje os filhos são capazes de criticar os pais de forma aberta, algo impensável alguns anos atrás. E esta “crítica” leva ao diálogo quer seja de forma positiva quer negativa. De qualquer forma será sempre diálogo, o que me parece é que, sobretudo os pais, não aceitam ser criticados pelos filhos e daí ou se coibem ou se exaltam. E oferecem dessa forma “de bandeja” aos filhos um sentimento de alter-ego. Se, porém, todos estiverem cônscios de que – a opinião não é um juízo recto – é possível haver diálogo e defender-se os diferentes pontos de vista. E neste contexto vai com certeza aparecer o “Elogio”.
    Maria Matos

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