
Nós brasileiros estamos acostumados a nos alegrar com nossos concidadãos que fazem sucesso no exterior. Acostumados que somos a pertencer a uma nação que nem sempre se destaca por virtudes, mas, muitas vezes, por vícios (corrupção, violência, desmatamento….), vibramos de sobremaneira com as pequenas conquistas que nos fazem conhecidos nos meios internacionais.
Todos nós torcemos pelas vitórias dos nossos pilotos na fórmula 1; nos alegramos com as vitórias dos times de futebol espanhóis ou italianos, muitas vezes graças aos nossos jogadores; ficamos honrados cada vez que vemos o nome da Gisele Bündchen nas listas das mulheres mais lindas do mundo; corremos para assistir os filmes estrelados por Rodrigo Santoro em Hollywood, mas sabemos muito, muito pouco sobre os milhares de “João Ninguéns” que moram por este mundão afora.
Muitos brasileiros têm uma visão romântica da vida no exterior. Acreditam que seja fácil e rápido ganhar muito dinheiro lá fora. Sonham que quando o salário é em dólar o custo de vida vai continuar sendo em reais. Torcem para que os sacrifícios feitos para ganhar dinheiro lá fora não sejam tão duros quantos os feitos no Brasil.
A vida de um imigrante, no entanto, tal qual a de muitos dos antepassados que colocamos orgulhosamente em nossas árvores genealógicas, inclui desafios como aprender um idioma novo, acostumar-se a um clima e povo estranho, conseguir superar a saudade de casa, da família, dos amigos e, muitas vezes, aprender a lidar com a discriminação. Este lado dura da vida lá fora costuma ser esquecido ou ignorado por muitos, que preferem acreditar que “não pode ser tão ruim assim”. Estamos acostumados a receber com muita hospitalidade os estrangeiros que chegam ao nosso país, mas como somos recebidos no exterior? Na melhor das hipóteses com curiosidade, pois são muitos os estrangeiros que se interessam pelo nosso país, mas na maioria das vezes simplesmente com desinteresse. Não há confetes para os anônimos que se aventuram além-mar.
Jean Charles Menezes foi um destes brasileiros que, em busca de uma vida melhor, deixou o seu país natal. Em 2002 saiu do Brasil para ser eletricista na Inglaterra. Queria ter voltado bem sucedido, mas seu sonho desmoronou brutalmente e Jean Charles voltou para casa morto após ter sido baleado por engano, pela polícia inglesa. O conto de fadas virou pesadelo.
No próximo dia 26 estreia no Brasil “Jean Charles”. O filme foi dirigido por Henrique Goldman, com Selton Mello no
papel principal, e enfoca principalmente o cotidiano do eletricista na capital inglesa. O objetivo é mostrar o dia-a-dia do mineiro, de Gonzaga, cuja vida simboliza a de muitos outros brasileiros no exterior. Pessoas que procuram resgatar suas raízes brasileiras e que são, de certa forma, mais brasileiros que os conterrâneos do Brasil. Longe de querer trazer fatos novos relacionados com sua morte, fatos estes que são, em sua maioria, conhecidos pelo grande público, o filme pretende mostrar quem era Jean Charles, contando sua vida.
A vida de um imigrante, que saiu de casa para poder trabalhar e mandar dinheiro para ajudar a família, a de um brasileiro atrás de um sonho.














