
Na nossa última enquete, percebemos que muita gente gostaria de ter o seu Brasão de Família.
Um brasão é como um cartão de visitas criado a muito tempo e usado pela nobreza européia nos séculos XIV e XV, quando seu uso foi bastante difundido. Mas não foi usado pela primeira vez pelos cavaleiros e nobres europeus. O uso de brasões, bandeiras e insígnias é de início ignorado, talvez lá pelos idos tempos dos primeiros clãs humanos, já era uma necessidade se identificar seus membros e diferenciá-los de outros clãs. Na idade média, era comum um cavaleiro ter um pagem ou armeiro, também conhecido por escudeiro, que soubesse identificar um escudo adversário e “medir” o oponente para que seu “Senhor” soubesse com quem é que ele estava tratando. Assim, os primeiros responsáveis pela difusão da heráldica, que é o estudo dos símbolos medievais e modernos de identificação de um clã, uma família, uma corporação, uma cidade, uma região ou um país, vieram da serviência aos cavaleiros e dos poucos letrados da Idade Média, condição que muitas vezes, nem o cavaleiro compartilhava. Quem pensa que a heráldica é coisa dos antigos, esta muito enganado, os Escudos de Armas de hoje se chamam “logotipos” ou “marcas” e podem, dependendo do seu dono, ter valor financeiro de grande monta. Vejamos um brasão famoso:

Ao bater o olho neste “logotipo”, “desenho”, ” símbolo”, “signo” ou nesta “marca” você imediatamente identifica o produto e se lembra da empresa que ele representa, o mesmo caso ocorre com um Brasão de Armas. A idéia por trás de um brasão é identificar alguém, ou alguma região ao se “bater os olhos” na imagem, e podemos aqui dizer que seu uso se propagou, pois em uma sociedade onde a grande maioria era analfabeta, a imagem era tudo, ou seja, hoje lemos a biografia de alguém, entendemos seus feitos e sua trajetória de vida, somos alfabetizados. Na idade média, saber ler era um raro direito.
Entendeu? Ou quer que eu desenhe. Hoje se usa muito no Brasil esta frase para brincar com pessoas que não entenderam uma explicação. Os brasões cumprem esta função. Desenha-se no brasão a biografia de uma pessoa, de uma cidade ou país e qualquer pessoa pode “ler” a biografia escrita ali.
Para podermos saber ler um brasão, definiu-se regras bem especificas para que mesmo que um cavaleiro fosse lutar na Terra Prometida (Jerusalém), os símbolos podiam ser entendidos pelos árabes e outros povos e com isso o “cartão de visitas” do cavaleiro era entendido por todos.
As marcas, as cores, o material usado, a forma e muitas outras regras davam significado ao brasão.
Hoje é muito comum, algumas pessoas adotarem brasões que não condizem com a sua história de família ou procedência. Vamos ver que, um brasão espanhol é bem diferente de um alemão. Não se pode errar na leitura de um brasão, pois podemos correr o risco de levar o leitor do mesmo a pensar que você seja descendente de quem não é. O objetivo de MeusParentes é fazer com que seus usuários estejam preparados para se necessário, desenharem seus brasões, pois um brasão pode ser desenhado nos dias de hoje, o que não pode é colocar sobre ele uma insígnia ou Comenda Real em um país onde a Monarquia não é mais representada.

Como você deve já ter percebido, este assunto não é assunto que se possa colocar em poucas palavras, assim como a música que é uma língua universal, ou o Esperanto que também é uma língua universal, a Heráldica também é universal. Seu conhecimento é desafiador e faz com que você procure cada vez mais, aperfeiçoar seus conhecimentos, discutir o assunto em nosso Fórum e desejar desenhar o seu próprio ESCUDO. Vamos apresentar esta matéria em partes, que possa permitir que você, ao ver um cavaleiro ai pela sua cidade, possa identificar sua procedência, sua experiência e até a quantidade de batalhas que ele participou e jamais adotar um brasão sem que a leitura dele tenha tudo a ver com a sua família, mas , para isso é necessário que a heráldica que sugerimos seja como uma pequena introdução ao tema, e será desta forma que iremos apresentar. (NOTA: A bibliografia desta matéria será apresentada ao final).

Os brasões podem dividir-se em diferentes classes, segundo as entidades que representam. A classificação básica, divide-os em duas classes:
- Brasões compostos: combinam dois ou mais brasões, cada qual representando uma entidade diferente.
Os brasões também podem ser classificados segundo a categoria da entidade que representam:
- Brasões de soberania: representam um monarca ou um estado soberano;
- Brasões de titulares: representam o titular de um cargo ou de uma honra;
- Brasões de família: representam, em sentido restrito, o chefe de uma família e, em sentido lato, o conjunto da família;
- Brasões eclesiásticos: representam um titular eclesiástico ou uma entidade coletiva religiosa;
- Brasões corporativos: representam uma entidade coletiva moral, tanto civil como militar;
- Brasões de domínio: representam uma entidade territorial não soberana.
Além disso, os brasões ainda podem ser classificados segundo as suas características ou o seu histórico:
- Brasões assumidos: assumidos pela própria entidade que representam, ao invés de terem sido concedidos por uma autoridade superior;
- Brasões acrescentados: ao desenho os quais foram acrescentadas peças honrosas ou feitas outras alterações, como forma de recompensa da entidade que representam;
- Brasões a inquirir: que infringem, propositadamente, uma ou mais regras da heráldica, como forma de significar algo que deve ser inquirido;
- Brasões falsos ou pseudo brasões: emblemas, insígnias, marcas ou distintivos de entidades, por elas usadas como brasões mas que, por não respeitarem os critérios mínimos estabelecidos pela heráldica, não podem ser considerados verdadeiros brasões de armas.
Os brasões também podem ser classificados ainda quanto:
- Estilo de Coroa mural: aldeia, vila, cidade e cidade capital;
- Forma de seus elementos fundamentais – os escudos: francês antigo, francês moderno, somático ou samnítico, oval (feminino; mulheres casadas), losangos (feminino; mulheres solteiras; símbolo da virgindade), de torneio ou bandeira, italiano, suíço, inglês, alemão, polaco, espanhol, português e da região do Flandres e outras formas diversas;
- Tipos de suporte: apoios, sóstenes, suportes e tenentes.

Podemos dizer que os brasões são compostos de dois elementos distintos, o ESCUDO e os ELEMENTOS EXTERNOS.
O Escudo é a parte principal de um brasão, é onde ficará a marca principal do brasão ( figuras), sua procedência (forma) e sua história de lutas (organização). Estes Elementos internos são os que classificam o “sobrenome” do Brasão.
Os Elementos Externos são complementos e honrarias que permitem ao cavaleiro mostrar suas vitórias, suas andanças, diplomacias e laços de parentesco e de nobreza. Assim, as figuras, as formas de um brasão semelhantes ao brasão de outro clã, determina sua descendência mesmo que a família possa ter se movimentado geograficamente.

- Grito de guerra ou grito de armas: é uma palavra ou frase curta (interjeição) de incentivo ao combate ou à ação. Normalmente, é colocado num listel, sobre o conjunto das armas;
- Coroa ou Coronel: representa a categoria da entidade representada pelo brasão. É chamada de coroa, se corresponde a uma entidade com soberania e coronel, nos restantes casos. Conforme o país ou a representação artística do brasão, a coroa ou coronel pode figurar sobre o elmo, sobre o pavilhão ou manto, ou, diretamente sobre o escudo;
- Virol: é a reprodução da fita que amarrava o timbre ao elmo. Representa-se com duas cordas entrelaçadas, uma da cor do metal principal do escudo e a outra da cor do esmalte principal;
- Troféus: são a reprodução de objetos, geralmente armas e bandeiras, para significar feitos militares. São, normalmente colocados atrás do escudo;
- Timbre: representa os emblemas que os cavaleiros colocavam no topo dos seus elmos, para melhor serem identificados nos torneios. O timbre é colocado sobre o virol e, ao contrário das figuras inseridas no escudo, pode ser figurado de forma naturalista;
- Paquifes: são a reprodução do tecido que alguns cavaleiros colocavam sobre os elmos, para se protegerem do calor. São, normalmente representados com duas cores, uma a do metal principal do escudo e, a outra, a do esmalte principal;
- Elmo: é a reprodução dos elmos dos cavaleiros. Na heráldica de alguns países a cor, o formato e a posição do elmo, indica o estatuto da entidade representada;
- Suportes ou Tenentes: são figuras que suportam o escudo. São chamados tenentes se representam seres humanos e suportes, nos restantes casos. Normalmente são representados aos pares, um de cada lado do escudo. Ocasionalmente pode ser representado apenas um, atrás do escudo; (VEJA FIGURA)
- ESCUDO
- Condecorações: são a reprodução das insígnias das condecorações que, a entidade representada, detém. São colocadas em colares à volta do escudo, pendentes do mesmo ou, caso sejam cruzes, atrás do escudo, apenas com as pontas aparentes;
- Divisa: é o lema da entidade representada. É colocado num listel, sob o escudo.
- Insígnias: representam o cargo que uma pessoa representada pelo brasão detém. É comum representá-los como dois objetos cruzados atrás do escudo, em raras excessões, as armas são colocadas abaixo do brasão
ELEMENTOS DE REALEZA
- Pavilhão: representa um pavilhão ou tenda de campanha medieval. É, normalmente, representado a envolver o escudo e outros dos seus elementos exteriores, tendo, no seu topo a coroa correspondente à entidade representada;
- Manto: representa a peça de vestuário homónima, que cobre, simbolicamente um soberano ou alto membro da nobreza. Normalmente, envolve o escudo, tendo, no seu topo, a coroa ou coronel correspondente à entidade representada;

A única peça obrigatória de um brasão é o escudo, as outras podem ser acrescentadas como decoração ou concepção artística, desde que não se acrescente itens não dispostos na heráldica, tais como “um círculo em volta do brasão” , “triangulo como suporte do brasão” ou outras formas como parte do brasão.
Por outro lado, em certas representações artísticas de um brasão de armas, podem-lhe ser acrescentados certos elementos exteriores que não lhe tenham sido, formalmente, atribuídos. É o caso, por exemplo, dos suportes e dos tenentes, colocados em certos brasões apenas como decoração.

Já outros elementos exteriores, só podem ser colocados na representação de um brasão, no caso de terem sido, formalmente atribuídos ao titular do mesmo. É o caso, por exemplo, das coroas e dos coroneis.
(SEGUE)














