
Já falamos aqui sobre os brasões, agora vamos continuar a falar sobre a principal peça de um brasão, o Escudo.
Como dito anteriormente, o cartão de visitas de um cavaleiro era o seu escudo, tanto é que ao vencer um cavaleiro oponente, bastava-se tomar o escudo do mesmo e erguê-lo que todos os seus comandados imediatamente se entregavam e depunham as armas. Ou seja : caiu o Escudo, caiu o Reino.
Você pode pensar que esta prática já não existe mais, mas veja a foto abaixo e me diga se estes homens não estão erguendo o seu brasão sobre os vencidos. Esta foto ficou famosa e virou até um monumento, pois o impacto dela sobre a população recolocou o esforço de guerra em primeiro lugar, na vida dos americanos, durante a II Grande Guerra, como se o escudo do inimigo fosse erguido após a vitória. O Escudo sempre foi e sempre será o símbolo da vitória e das lutas que os homens travam para o bem ou para mal. Perder o escudo é perder a batalha e ser sobrepujado pelo inimigo, é ter que entregar as riquezas e os bens e estes escudos símbolos estão presentes hoje em quase todas as atividades do ser humano. Trabalho, família, amigos, pátria, religião e outras que poderíamos citar aqui. Qual é o escudo de um empresário? Sua mesa. Ele a defende com unhas e dentes, perdê-la é perder o status e perder a luta para os outros empresários.
Se o Escudo é tão importante, vamos falar dele, pois quase toda a heráldica, moderna ou medieval, está focada na montagem do escudo como a figura representativa do brasão.

Se você procurar na internet, existem centenas de sites oferecendo o seu brasão, mas, é preciso que você entenda que a forma do brasão diz a sua procedência etnológica, ou seja, se a sua família aportou em um país vindo da Itália, trouxe consigo um formato de brasão que diz a sua procedência. Vários heraldistas, sintetizam os formatos da seguinte forma em função da procedência do brasão.
O formato ESPECIAL pode ser constituido de duas linhagens se existir uma união entre famílias ou uma homenagem feita por alguém a outra estirpe. Na imagem acima, podemos perceber que existem duas formas para os escudos ingleses, o segundo modelo é decorrente do mesmo ser para os torneios e campeonatos e o espaço aberto na lateral era para o apoio da lança. Uma nota bastante importante é que a forma do escudo, não representa que estes escudos seriam de uso dos cavaleiros que ao contrário do que se pensa, usava um pequeno escudo amarrado ao braço esquerdo e com uma pesagem adequada para uma batalha. Abaixo um exemplo do formato ESPECIAL de um Brasão: (clique na imagem para ampliá-la)
FORMAS DO ESCUDO
- Escudo clássico, ogival ou lanceolado: tem a ponta inferior em forma de lança ou ogiva. Sendo um dos mais antigos formatos de escudo, no século XX voltou a ser o tipo mais usado na Europa e nos países de influência européia;
- Escudo francês, quadrado ou samnítico: tem um formato, aproximadamente quadrado, mas com os dois cantos inferiores arredondados e com uma pequena ponta na base. Introduzido, primeiro, em França, este formato de escudo tornou-se o tipo mais usado na Europa e nos países de influência européia, durante o século XIX;
- Escudo oval: tem um formato oval. Com utilização generalizada durante o século XVIII, tornou-se, na heráldica portuguesa, o formato de escudo privativo do clero. Em outros países é o formato privativo dos escudos femininos;
- Lisonja: tem um formato em paralelogramo, com os quatro lados iguais. Na heráldica portuguesa e da maioria dos países europeus é o formato de escudo privativo das senhoras que não sejam titulares ou chefes de família. Na Catalunha e em outros territórios da antiga Coroa de Aragão é o formato de escudo de utilização generalizada;
- Escudo de torneio ou de bandeira: é um quadrilátero como sete partes de largura por oito de altura. Era o formato do escudo físico, utilizado pelos cavaleiros nos torneios medievais;
- Escudo italiano ou de cabeça de cavalo: tem o formato aproximado da parte frontal da cabeça de um cavalo. Utilizado, inicialmente, na Itália, durante o renascimento, este tipo de escudo baseava-se no formato das peças de armadura que protegiam a parte frontal da cabeça dos cavalos de batalha;
- Escudo suíço: de formato semelhante ao do escudo clássico, mas com a parte superior recortada;
- Escudo inglês: de formato semelhante ao do escudo francês, mas com uma “orelha” triangular em cada um dos bordos superiores. Este formato de escudo foi usado no século XVIII pelos nobres da Inglaterra, distinguindo-se dos escudos plebeus, pelas “orelhas”;
- Escudo polaco ou russo: escudo de ponta arredondada, com recortes arredondados simétricos nas laterais e, geralmente, também na parte superior;
- Escudo português, espanhol, flamengo, ibérico, peninsular ou boleado: escudo com a ponta redonda. Atualmente é o escudo de uso dominante em Portugal. Também é bastante utilizado na Espanha, Brasil, Alemanha e Países Baixos.
- Escudo alemão ou boleado: escudo de ponta arredondada ou ogival, com um recorte redondo num dos cantos superiores. Formato de escudo usado em torneiros pelos cavaleiros renascentistas, servindo o recorte superior para apoiar a lança; (fonte wikipédia).
ORGANIZANDO O ESCUDO
Do ponto de vista de quem segura o escudo, podemos dividi-lo em partes que caracterizam as zonas do escudo que seriam segundo alguns autores o local em que o cavaleiro se posicionava junto ao comando da batalha, assim. se o cavaleiro fosse a retaguarda do comandante da batalha (geralmente um príncipe ou rei) em seu escudo estaria marcado com figuras na marca número 5, ou seja sua função era exclusivamente o coração ou “abismo” e não permitir que o inimigo se aproximasse do seu comandante.
Olhando o escudo da figura, e posicionando-se como o cavaleiro, verifique as denominações correspondentes das zonas do escudo:
- Cantão direito do chefe;
- Chefe;
- Cantão esquerdo do chefe;
- Flanco direito;
- Ponto do centro, coração ou abismo;
- Flanco esquerdo;
- Cantão direito da ponta;
- Ponta;
- Cantão esquerdo da ponta.
Imagine em uma batalha o comandante olha para o seu lado e para os escudos dos cavaleiros e determina o lado pelo qual cada cavaleiro deverá atacar. O cavaleiro que em seu escudo tivesse a figura no número 6, defenderia o franco esquerdo na batalha. Bem organizado você não acha?
AS PARTIÇÕES
Se fossemos transportar para os dias de hoje esta parte de um escudo, estaríamos falando do Marketing Pessoal do cavaleiro. Isso mesmo, esta parte é bem interessante pois as partições era o modo como o cavaleiro tinha para “avisar” ao seu oponente as batalhas e técnicas de combate em que o cavaleiro se destacava, isso fazia com que alguns se afastassem da luta. As partições são divisões que combinadas permitem mais de uma centena de formas, e após uma batalha o cavaleiro por merecimento poderia incluir ou mudar a partição de seu escudo. A partição obedece o “golpe” da espada que o escudo possa receber.
Simulamos o resultado de uma contenda entre dois cavaleiros e o vencedor enfrentou um cavaleiro que empunhava a espada com a mão direita e seus golpes vinham de cima para baixo, o resultado seria como na figura abaixo, mas, após a batalha e a posterior “reforma” do escudo, o resultado é apresentado ao lado.
AS PEÇAS
Segundo Larouse ( Simbología y diseño de la heráldica gentilicia galaica) as peças seriam honrarias recebidas pelo detentor do escudo, podem ser divididas em duas partes, 1ª Ordem (mais usada) e 2ª Ordem (muito extensa e exaustiva). A peça é uma honraria, diferente da partição que determina a cor ou o objeto.
São elas :
CHEFE – Elmo do Cavaleiro. Tem de largura um terço do campo (fundo do escudo).
PONTA – Campanhas enfrentadas pelo cavaleiro. Tem de largura um terço do campo (fundo do escudo).
LANÇA - Lança do Cavaleiro. Tem de largura um terço do campo na vertical (fundo do escudo).
FAIXA – Armadura e cinturão do cavaleiro. Tem de largura um terço do campo (fundo do escudo)
BANDA E CONTRA BANDA – Correia ou cinturão do Cavaleiro. A peça oposta da banda, a barra ou contrabanda (diagonal da esquerda para a direita), pode significar correia, ou “desonra”. Tem de largura um terço da do campo (fundo do escudo).
ASPA – Estandarte do Cavaleiro; também designada por Soter (ou Sautor), Cruz de Santo André ou Cruz de Boronha ou Borgonhona.
CRUZ – Espada do Cavaleiro; concedida aos que já tinham participado em combates, tendo a sua espada ficada manchada de sangue. Cada uma das suas peças, tem de largura a quarta parte do bordo superior do escudo.
Ainda falaremos das figuras e da forma com a qual esperamos que você veja o seu brasão. Por hoje é só e gostariamos de saber se esta sendo útil para você esta matéria. Não deixe de comentar, criticar ou sugerir em nosso blog.


















