11/01/2010

NãO FuI eU…

não fui eu 01

Começa com “Enc: Fw: Fwd: En:” e vai embora.

Você já deve ter recebido um email com este assunto, que significa que antes de cair na sua caixa de correio, já passou por diversas outras e já foi replicada e encaminhada tantas vezes que ninguém mais consegue saber de onde veio, quem mandou ou para onde vai. São inúmeros por dia, e, algumas  vezes ,um amigo recebe o email, replica para toda a sua caixa de correio  sem perceber que a alguns dias atrás foi ele mesmo que mandou para os amigos. Vira um looping que não para. Eu estou falando do famoso email que percorre a net com as mais inusitadas mensagens de “sabedoria”, de “auto ajuda”, de “reflexão” e com aquelas criancinhas lindas fazendo fundo para a apresentação de power point, com direito a “musiquinha” e tudo. O pior é que nem sempre os textos são do autor indicado.

Como assim?

São os famosos “textos apócrifos” que são dados a um autor famoso sem que este autor jamais tenha escrito, pensado ou imaginado em escrever tal texto.

“Não sou dono do mundo, mas sou filho do dono”, não foi Jesus Cristo quem escreveu isto, é coisa de parachoque de caminhão que acaba por vir para a internet tendo como autor Jesus Cristo.

As vítimas campeãs deste tipo de mensagem são, na maioria, pessoas famosas: Paulo Coelho, Luiz Fernando Verissimo,  Dráuzio Varella, Prof. Pasquale, Millôr Fernandes, Clarisse Lispector, Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Dalai Lama e a campeonissíma Madre Teresa de Calcutá.

Sem considerar os que já morreram e não podem mais “escrever” estes textos, (Clarisse, Mário Quintana, Carlos Drummond, Madre Tereza), os outros  estão sujeitos a ter seu nome relacionado a textos que não lhes pertencem. Luiz Fernando Veríssimo, em entrevista a um jornal, disse certa vez que uma senhora teria lhe dito que  era fã incondicional dele, pelo belo texto que  havia escrito e que ela recebera pela internet. Veríssimo agradeceu, sem falar que o texto não era dele, porque,  “admirador novo a gente não rejeita, mesmo que o texto não seja meu”, ele disse.

O pior é que o referido texto  era “Quase”, escrito por Sarah Westphal e que foi traduzido e publicado na França como de autoria do brasileiro.

Não acredite em tudo o que você lê, pode ser falso, e quem diz isto não sou eu, “pode” ter sido escrito por… Dalai Lama no seu famoso “Poema da Sabedoria” (será que ele sabe disto?).

Segundo o professor  Pasquale: – As pessoas acham que internet é cartório, o que está escrito lá é verdade, e pode não ser.

Esta mania que muita gente tem de atribuir textos a quem não escreveu tem uma explicação lógica: Quem é Sarah Westphal? Mas Veríssimo todo mundo conhece e confia e isto se chama Fonte Confiável (FC).

A FC que muita gente usa para dar credibilidade a uma texto, pode muitas vezes trazer bastante aborrecimento,  e isso foi o que o Dr. Dráuzio Varella passou ao ser entrevistado na Espanha. O entrevistador leu um texto atribuído a ele com o seguinte teor: “No mundo atual está se investindo cinco vezes mais em remédios para virilidade masculina e silicone para mulheres do que na cura do mal de Alzheimer. Daqui a alguns anos teremos velhas de seios grandes e velhos de pinto duro, mas que não se lembrarão para que servem.” Que Dráuzio teve que corrigir : – “Não tenho a menor ideia de quanto se investe na cura do Alzheimer. E jamais falaria uma grosseria dessas. Nem no botequim.” Mas o texto continuou correndo a Net como se fosse dele,  o que, aliás, apaguei hoje.

Em nossas árvores, temos diversas situações semelhantes, algumas fontes até parecem confiáveis, mas não o são, por isso é que criamos a FONTE e ali dentro deste recurso  existe uma opção bem clara  em que se pode colocar “confiável” ou “não confiável”. Sabe por quê? Tente ouvir a história de um divórcio, de uma partilha de bens, de uma disputa pela guarda de uma criança. Valerá sempre como fonte confiável, mas FC, pode significar  Foi Contado, perdendo assim a confiabilidade.

Documente o melhor possível a sua árvore, não deixe que daqui a pouco Carlos Drummond de Andrade, ou  Clarisse Lispector estejam fazendo parte de sua árvore, eles já morreram e não podem se defender.

De canja, segue o texto de Sarah Westphal ( se for copiar para mandar para alguém, dê o nome da autora), pois até propaganda este texto já virou.

QUASE [Sarah Westphal]

O texto abaixo está exatamente como a Net veicula, e creio que não seria possível ter sido escrito por Fernando Veríssimo.

Ainda pior que a convicção do Não e a incerteza do Talvez é a desilusão de um Quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto!
A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance. Para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente a paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance!
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando; porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.


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Posto em ...da Redação

Uma Resposta

  • JOSÉ LUIZ DE SOUZA no dia 14. 01. 2010 à 02:10

    Olá, equipe MEUSPARENTES…

    Muitos assassinatos à língua potuguesa neste texto…
    Cadê os revisores?
    Ausência de acentos importantes, acentuação errônea… esses são alguns exemplos de que este texto não foi relido e nem revisado….
    Para um veículo de comunicação como este blog, acho imprescindível a revisão da redação, pincipalmente ao que se refere à adequação às normas da Língua Portuguesa…

    abraços….

    José Luiz de Souza

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