Se alguém amou tanto o Rio Grande do Sul no Brasil, este alguém foi Érico Veríssimo.
Lembro-me que ainda era um rapazola e a leitura era um dos meus passatempos mas, não era um aficcionado pela leitura. Por obrigação e imposição de minha professora de português a leitura daquele ano seria “O Tempo e o Vento” de Érico Verissímo, uma coleção que contava a história de uma família, de uma região e de um país. Mal sabia eu que ao emprestar, a contra gosto, na biblioteca, o primeiro volume da trilogia, iria me encantar tanto pela leitura a ponto de comprar a coleção completa, e algumas oportunidades presentear as pessoas queridas. Talvez neste livro o meu gosto pela genealogia tenha iniciado.
Érico Veríssimo criou nas uniões de uma árvore genealogia a oportunidade de descrever as tradições gaúchas, as lutas, os romances e a trajetória de personagens tão bem elaborados que nos encantam pelos seus trejeitos, pela personalidade e pelo jeito de falar de cada um, e em algumas vezes estes personagens deixam a ficção e passam a ser personagens vivos como se, a qualquer instante, andando pelos campos lá do sul, se tem a sensação de que se pode ver o Capitão Rodrigo com sua viola a tiracolo e seu lenço no pescoço andando pela pradaria na névoa da poeira, indo ao encontro de Bibiana depois de mais uma peleja:
“Toda a gente tinha achado estranha a maneira como o capitão Rodrigo Cambará entrara na vida de Santa Fé. Um dia chegou a cavalo, vindo ninguém sabia de onde, com o chapéu de barbicacho puxado para a nuca, a bela cabeça de macho altivamente erguida, e aquele seu olhar de gavião que irritava e ao mesmo tempo fascinava as pessoas. Devia andar lá pelo meio da casa dos trinta, montava um alazão, trazia bombachas claras, botas com chilenas de prata e o busto musculoso apertado num dólmã militar azul, com gola vermelha e botões de metal.
Tinha um violão a tiracolo; sua espada, apresilhada aos arreios, rebrilhava ao sol daquela tarde de outubro de 1828 e o lenço encarnado que trazia ao pescoço esvoaçava no ar como uma bandeira. Apeou na frente da venda do Nicolau, amarrou o alazão no tronco dum cinamomo, entrou arrastando as esporas, batendo na coxa direita com o rebenque, e foi logo gritando, assim com ar de velho conhecido:
– Buenas e me espalho! Nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho!
– Pois dê”
O Continente, O Retrato e O Arquipélago são três fases na vida dos personagens que formaram o estado do Rio Grande. Guerras e pelejas, cheias de detalhes que envolvem, em alguns momentos, personagens reais aos personagens imaginados e que são um tributo ao Rio Grande, ao seu povo e principalmente a Literatura Brasileira. O maior de todos os espetáculos é que Veríssimo mostra a macheza e as lutas dos homens do Rio Grande, mas, é em três mulheres Ana Terra, Bibiana Cambará e Maria Valéria que conseguimos enxergar toda a dificuldade de nossos antepassados em transpor dificuldades para realizar seus sonhos em uma época cheia de armadilhas.
Iniciei em MeusParentes uma árvore genealógica com os personagens desta história, como já faz muitos anos que não pego os livros para rever a história, pode ser que eu tenha esquecido algum detalhe. Se você, principalmente os riograndenses, souberem de algo que possa enriquecer esta nossa árvore, ajude com seus comentários, teremos o prazer de acrescentar na árvore. Depois de montada e bem completa, (biografias, datas, fatos e comentários), pelos nossos leitores e colaboradores, eu mando a cada um dos comentaristas e colaboradores as listas e PDFs desta árvore.
Para entrar nesta árvore é bem fácil, use o email de acesso que é floriano.cambara@gmail.com e a senha : AnaTerra o endereço para o login é http://www.meusparentes.com.br/login/
Detalhe importante: Esta árvore contém exemplos de ramos diferentes (setas verdes) e Relações Múltiplas, basta procurar.
Se você ainda não leu esta obra, vai aqui uma boa dica de leitura
O Tempo e o Vento – Érico Veríssimo – CIA DAS LETRAS – 2832 páginas – R$ 270,00
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