Em nossa última entrevista, com Fifi Tong, mostramos a relação entre Genealogia e Fotografia. Desta vez, vamos mostrar uma combinação mais inusitada: Genealogia e Gastronomia.
É esta a proposta de Fabricio de Avila Ferreira, com o seu livro “Avila – 300 Anos de História & Sabores. Genealogia e Gastronomia –A Arte de Redescobrir”. Fabricio nasceu em 13 de fevereiro de 1980, na cidade de Araxá, Minas Gerais. Historiador “nato”, possui um acervo fotográfico e documental sobre a História de Araxá e das famílias araxaenses, acumulado em mais de vinte anos de pesquisas. É também professor e biólogo especialista em Ciências Ambientais.
Redação: Você escreveu o livro “Avila – 300 anos de História & Sabores. Genealogia e Gastronomia”. O que o motivou a iniciar este projeto?
Fabricio: Sempre pareceu-me um dever, uma obrigação assumida com aqueles que já partiram e nos legaram um nome, fazê-los perpetuar no seio de nossa família e torná-los conhecidos. Tal fato me trouxe uma proximidade muito grande das pessoas mais velhas, o que foi essencial na formação da minha personalidade e construção dos meus valores. Com esse sentimento de busca pelo conhecimento dos antepassados e por um apego muito especial que dedico aos familiares, resolvi, então, organizar este trabalho, com o ânimo maior de propiciar a todos os parentes mais informações sobre toda a Família, especialmente às gerações futuras, que haverão de reconhecer melhor essa oportuna iniciativa, sem a qual as lembranças iriam sendo apagadas pelo tempo.
Redação: Como começou o seu interesse pela genealogia?
Fabricio: Desde os meus primeiros anos de vida já manifestei interesse pelo resgate de tudo que avós, bisavós, trisavós, tetravós viveram e procuraram deixar. Com base nesse desejo inato de desvendar o passado e remontar as origens, iniciei minhas pesquisas junto aos parentes mais velhos. Elaborei, com apenas seis anos de idade, de forma esquemática, um primeiro esboço sobre a minha própria Genealogia de antecedentes em uma folha de papel, seguindo dois caminhos: de um lado, a linha ascendencial de meu Pai, e do outro lado a ascendência de minha Mãe, cheguei, assim, a um mesmo tronco familiar inicial, cujo documento guardo até hoje, como relíquia da minha primeira investida nessa área genealógica.
Redação: Conte a história da família Avila. Quantas gerações desta família foram pesquisadas?
Fabricio: A história se inicia em 1709, narrando a saga de João de Avila da Silveira, imigrante português nascido na ilha do Pico (Açores), que deixara sua terra em busca de melhores condições de vida no Brasil. Retratando o percurso de dez gerações dos Avila por estas paragens, reconstrói parte da história e da cultura de Araxá e região, ricamente ilustrada e comprovada. Vários membros da família foram líderes políticos, atuaram na criação do Julgado de São Domingos do Araxá, da Revolução de 1842, da criação da Vila, da Guerra do Paraguai, além de terem sido presenças constantes nas transformações ocorridas no final do século XIX, como a abolição da escravidão, a queda do império e a transição para o regime republicano. Além disso, o livro vem recheado de receitas que sortiam as mesas das casas senhoriais, muitas delas encontradas em cadernos manuscritos que datam até mais de um século, mas sempre atuais. O leitor poderá voltar às origens, comer o que seus antepassados saboreavam e ter orgulho em dizer que a história nunca teve tanto sabor.
Redação: Como você estruturou o seu trabalho e quanto tempo levou até o lançamento do livro?
Fabricio: É um pouco difícil quantificar o tempo, pois a minha vida sempre foi entremeada e motivada por estas pesquisas. Nos últimos dois anos, apenas organizei algum material, que resultou no livro.
Redação: Porque misturar genealogia e gastronomia? A combinação dá certo?
Fabricio: Existe grande relação entre história familiar e gastronomia, uma complementa a outra de forma perfeita. A gastronomia é uma maneira extremamente palpável de manifestação das tradições e costumes. Cada família possui uma versão única de receitas que foram ditadas boca a boca e que se mantêm até nossos dias. Sabor e cheiro são fortes testemunhos do passado, e afirmam que esse passado, a cada dia mais distante, pode a qualquer momento, se fazer presente através do poder de sentidos como paladar e olfato. Lembranças e recordações se transformam em histórias fascinantes e fazem relembrar momentos inesquecíveis.
Redação: Ainda na gastronomia: qual é a sua receita preferida? Você também é um bom cozinheiro?
Fabricio: Sou modesto como muitos de meus ancestrais, que mesmo sendo exímios cozinheiros e preparando maravilhosos quitutes, insistiam em dizer que poderia ter ficado melhor. Aprecio as coisas simples, como um pão de queijo e um bolo de queijo com goiabada. A fartura é uma marca característica de nossa família, onde fazemos questão que todos comam bem e saiam satisfeitos, levando um bocado pra depois.
Redação: Os leitores do nosso blog se interessam muito por genealogia. O que você pode dizer a eles sobre este assunto?
Fabricio: Mais do que uma forma de se conhecer os antepassados, a genealogia é um dos caminhos utilizados para se chegar à formação social, econômica, política e cultural de um povo. As fontes arquivísticas para esse estudo dão-nos informações preciosas sobre as formas de vida, os costumes, as relações de parentesco, sistemas econômicos de produção e ideologias políticas. Muitos porém, não tiveram funções relevantes, e não se tornaram ilustres, mas cumpriram, por mais simples ou menor que seja, o seu papel na história, sendo igualmente importantes no desenvolvimento das sociedades, e devem ser valorizados da mesma forma. Sempre devemos nos preocupar em imprimir um caráter impessoal, para informar e preservar a memória da maneira mais acertada possível, sem incorrer em erros e injustiças.
Redação: Quais foram as suas maiores vitórias e derrotas no campo da genealogia?
Fabricio: Os inúmeros amigos que adquiri, e que a cada dia são relembrados em momentos maravilhosos que marcaram minha vida de uma maneira única. Não há amor tão verdadeiro e nem sorriso tão sincero como o dos nossos familiares. Que bom que eu pude ter uma parte disso tudo diante dos olhos. Mas fica aquela coisa que para uns é gostoso sentir, para outros faz chorar mas para todos é o que nunca vai dar pra escapar: a saudade!
Redação: O que falta para o livro ser publicado?
Fabricio: O livro já está sendo impresso, e o lançamento agendado para o dia 16 de janeiro de 2010, às 18h, no Museu Histórico de Araxá – Dona Beja. Tudo está sendo viabilizado com o apoio de alguns patrocinadores, que não mediram esforços em atender as minhas solicitações. Está tudo preparado de forma simples, mas com muito carinho. Haverá uma exposição de fotos, exibição de um filme da família, apresentação da Banda Lira Araxaense e degustação das receitas trazidas no livro. Todos estão convidados. Será uma honra recebê-los.
Redação: Muito obrigada pela entrevista, Fabricio. Gostaria de deixar alguma mensagem final para os nossos leitores?
Fabricio: Gostaria de transcrever aqui um trecho do testamento de meu tetravô Manoel Francisco de Avila que deixou um legado que, mais tarde, deu origem à Santa Casa de Misericórdia de Araxá. Oxalá se todas as pessoas tivessem o espírito altruísta desse homem.
“Deixo a quantia de dez contos de reis que também será entregue em dinheiro de esmola para a fundação de um hospital ou casa de caridade na cidade de Araxá, onde os pobres enfermos vão algum dia encontrar alivio e consolo em seos sofrimentos: sei quanto é diminuta a quantia para tão grande obra e lamento não poder fazer mais; porem espero muito de meus patricios que aceitando como um convite que ora faço, não perderão tempo em acudir e realizar esta ideia em obediência a grande virtude que o nosso Redemptor tanto nos recomendou – a caridade.”
Agora, vamos anunciar a ganhadora da pegadinha do dia anterior.

———————————–Mayara Figueiredo.
Que vai receber um email da redação para podermos enviar a camiseta exclusiva de MeusParentes.
E agora. Com o final de semana são dois dias, a nossa equipe decidiu fazer uma pegadinha diferente. Serão duas pegadinhas, mas, você só pode participar de uma, se participar das duas o usuário será desclassificado.

1 – O que é que é?
Todo mundo tem, mas ninguem consegue vêr, tem gente que tem duas, passa de pai para filho e algumas vezes da mãe também pode vir.
O que é?


2 – Dois ratos estão roendo a cópia de um filme no porão de um estúdio. O que um dos ratos metido a crítico disse?
Nota: Na sua resposta coloque 1 ou 2 para identificar a charada com a sua resposta, não vale para usuários que já tenham recebido algum prêmio, o primeiro que acertar leva o prêmio indicado para a charada.






Nossa entrevistada deste mês é Maria Fernanda Pereira de Oliveira Matos, ou Maria Matos, como nós a conhecemos de alguns geniais textos e comentários em nosso blog, ela tem 57 anos, casada e mãe de 1 filho. Mora na cidade do Porto em Portugal, é funcionária pública do Instituto da Droga e Toxicodependência do Norte, admite que, se interferirem em sua liberdade individual, ela fica uma fera. Não é emotiva, é justa, amiga e objectiva, mas também não gosta de pessoas ciumentas e nem mal educadas. (quem é que gosta? ). Iniciou a sua árvore aproximadamente há uma ano e faz as suas pesquisas sozinha, mas recorre algumas vezes aos parentes para pedir informações ou se desloca para os Arquivos Distritais, pois quer documentar e autenticar toda a sua árvore.














