Artigos de ‘Entrevistas’

Em nossa última entrevista, com Fifi Tong, mostramos a relação entre Genealogia e Fotografia. Desta vez, vamos mostrar uma combinação mais inusitada: Genealogia e Gastronomia.

Avila Fabricio 300 anos de História e SaborÉ esta a proposta de Fabricio de Avila Ferreira, com o seu livro “Avila – 300 Anos de História & Sabores. Genealogia  e Gastronomia –A Arte de Redescobrir”. Fabricio nasceu em 13 de fevereiro de 1980, na cidade de Araxá, Minas Gerais. Historiador “nato”, possui um acervo fotográfico e documental sobre a História de Araxá e das famílias araxaenses, acumulado em mais de vinte anos de pesquisas. É também professor e biólogo especialista em Ciências Ambientais.

Redação: Você escreveu o livro “Avila – 300 anos de História & Sabores. Genealogia  e Gastronomia”. O que o motivou a iniciar este projeto?

Fabricio: Sempre pareceu-me um dever, uma obrigação assumida com aqueles que já partiram e nos legaram um nome, fazê-los perpetuar no seio de nossa família e torná-los conhecidos. Tal fato me trouxe uma proximidade muito grande das pessoas mais velhas, o que foi essencial na formação da minha personalidade e construção dos meus valores. Com esse sentimento de busca pelo conhecimento dos antepassados e por um apego muito especial que dedico aos familiares, resolvi, então, organizar este trabalho, com o ânimo maior de propiciar a todos os parentes mais informações sobre toda a Família, especialmente às gerações futuras, que haverão de reconhecer melhor essa oportuna iniciativa, sem a qual as lembranças iriam sendo apagadas pelo tempo.

Redação: Como começou o seu interesse pela genealogia?

Fabricio: Desde os meus primeiros anos de vida já manifestei interesse pelo resgate de tudo que avós, bisavós, trisavós, tetravós viveram e procuraram deixar. Com base nesse desejo inato de desvendar o passado e remontar as origens, iniciei minhas pesquisas junto aos parentes mais velhos. Elaborei, com apenas seis anos de idade, de forma esquemática, um primeiro esboço sobre a minha própria Genealogia de antecedentes em uma folha de papel, seguindo dois caminhos: de um lado, a linha ascendencial de meu Pai, e do outro lado a ascendência de minha Mãe, cheguei, assim, a um mesmo tronco familiar inicial, cujo documento guardo até hoje, como relíquia da minha primeira investida nessa área genealógica.

Avila rascunho da arvore genealógica 01Redação: Conte a história da família Avila. Quantas gerações desta família foram pesquisadas?

Fabricio: A história se inicia em 1709, narrando a saga de João de Avila da Silveira, imigrante português nascido na ilha do Pico (Açores), que deixara sua terra em busca de melhores condições de vida no Brasil. Retratando o percurso de dez gerações dos Avila por estas paragens, reconstrói parte da história e da cultura de Araxá e região, ricamente ilustrada e comprovada. Vários membros da família foram líderes políticos, atuaram na criação do Julgado de São Domingos do Araxá, da Revolução de 1842, da criação da Vila, da Guerra do Paraguai, além de terem sido presenças constantes nas transformações ocorridas no final do século XIX, como a abolição da escravidão, a queda do império e a transição para o regime republicano. Além disso, o livro vem recheado de receitas que sortiam as mesas das casas senhoriais, muitas delas encontradas em cadernos manuscritos que datam até mais de um século, mas sempre atuais. O leitor poderá voltar às origens, comer o que seus antepassados saboreavam e ter orgulho em dizer que a história nunca teve tanto sabor.

Redação: Como você estruturou o seu trabalho e quanto tempo levou até o lançamento do livro?

Fabricio: É um pouco difícil quantificar o tempo, pois a minha vida sempre foi entremeada e motivada por estas pesquisas. Nos últimos dois anos, apenas organizei algum material, que resultou no livro.

Redação: Porque misturar genealogia e gastronomia? A combinação dá certo?

Fabricio: Existe grande relação entre história familiar e gastronomia, uma complementa a outra de forma perfeita. A gastronomia é uma maneira extremamente palpável de manifestação das tradições e costumes. Cada família possui uma versão única de receitas que foram ditadas boca a boca e que se mantêm até nossos dias. Sabor e cheiro são fortes testemunhos do passado, e afirmam que esse passado, a cada dia mais distante, pode a qualquer momento, se fazer presente através do poder de sentidos como paladar e olfato. Lembranças e recordações se transformam em histórias fascinantes e fazem relembrar momentos inesquecíveis.

Redação: Ainda na gastronomia: qual é a sua receita preferida? Você também é um bom cozinheiro?

Fabricio: Sou modesto como muitos de meus ancestrais, que mesmo sendo exímios cozinheiros e preparando maravilhosos quitutes, insistiam em dizer que poderia ter ficado melhor. Aprecio as coisas simples, como um pão de queijo e um bolo de queijo com goiabada. A fartura é uma marca característica de nossa família, onde fazemos questão que todos comam bem e saiam satisfeitos, levando um bocado pra depois.

Redação: Os leitores do nosso blog se interessam muito por genealogia. O que você pode dizer a eles sobre este assunto?

Fabricio: Mais do que uma forma de se conhecer os antepassados, a genealogia é um dos caminhos utilizados para se chegar à formação social, econômica, política e cultural de um povo. As fontes arquivísticas para esse estudo dão-nos informações preciosas sobre as formas de vida, os costumes, as relações de parentesco, sistemas econômicos de produção e ideologias políticas. Muitos porém, não tiveram funções relevantes, e não se tornaram ilustres, mas cumpriram, por mais simples ou menor que seja, o seu papel na história, sendo igualmente importantes no desenvolvimento das sociedades, e devem ser valorizados da mesma forma.  Sempre devemos nos preocupar em imprimir um caráter impessoal, para informar e preservar a memória da maneira mais acertada possível, sem incorrer em erros e injustiças.

Redação: Quais foram as suas maiores vitórias e derrotas no campo da genealogia?

Fabricio: Os inúmeros amigos que adquiri, e que a cada dia são relembrados em momentos maravilhosos que marcaram minha vida de uma maneira única. Não há amor tão verdadeiro e nem sorriso tão sincero como o dos nossos familiares. Que bom que eu pude ter uma parte disso tudo diante dos olhos. Mas fica aquela coisa que para uns é gostoso sentir, para outros faz chorar mas para todos é o que nunca vai dar pra escapar: a saudade!

Redação: O que falta para o livro ser publicado?

Fabricio: O livro já está sendo impresso, e o lançamento agendado para o dia 16 de janeiro de 2010, às 18h, no Museu Histórico de Araxá – Dona Beja. Tudo está sendo viabilizado com o apoio de alguns patrocinadores, que não mediram esforços em atender as minhas solicitações. Está tudo preparado de forma simples, mas com muito carinho. Haverá uma exposição de fotos, exibição de um filme da família, apresentação da Banda Lira Araxaense e degustação das receitas trazidas no livro. Todos estão convidados. Será uma honra recebê-los.

Avila 300 anos de História e SaborRedação: Muito obrigada pela entrevista, Fabricio. Gostaria de deixar alguma mensagem final para os nossos leitores?

Fabricio: Gostaria de transcrever aqui um trecho do testamento de meu tetravô Manoel Francisco de Avila que deixou um legado que, mais tarde, deu origem à Santa Casa de Misericórdia de Araxá. Oxalá se todas as pessoas tivessem o espírito altruísta desse homem.

“Deixo a quantia de dez contos de reis que também será entregue em dinheiro de esmola para a fundação de um hospital ou casa de caridade na cidade de Araxá, onde os pobres enfermos vão algum dia encontrar alivio e consolo em seos sofrimentos: sei quanto é diminuta a quantia para tão grande obra e lamento não poder fazer mais; porem espero muito de meus patricios que aceitando como um convite que ora faço, não perderão tempo em acudir e realizar esta ideia em obediência a grande virtude que o nosso Redemptor tanto nos recomendou – a caridade.”

Agora, vamos anunciar a ganhadora da pegadinha do dia anterior.

NATAL-PREMIADO01

———————————–Mayara Figueiredo.

Que vai receber um email da redação para podermos enviar a camiseta exclusiva de MeusParentes.

E agora. Com o final de semana são dois dias, a nossa equipe decidiu fazer uma pegadinha diferente. Serão duas pegadinhas, mas, você só pode participar de uma, se participar das duas o usuário será  desclassificado.

NATAL2009 - ARQUIVO PDF

NATAL2009 - CHARADAS 1 – O que é que é?

Todo mundo tem, mas ninguem  consegue vêr, tem gente que tem duas,   passa de pai para filho e algumas vezes da mãe também pode vir.

O que é?

NATAL2009 - CONTA PREMIO

NATAL2009 - HUMOR

2 – Dois ratos estão roendo a cópia de um filme no porão de um estúdio. O que um dos ratos metido a crítico disse?


Nota: Na sua resposta coloque 1 ou 2 para identificar a charada com a sua resposta, não vale para usuários que já tenham recebido algum prêmio, o primeiro que acertar leva o prêmio indicado para a charada.


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Josef Michael Campani

Josef Michael Campani, bisavô de Raul Campani

Redação – Raul, você tem um site que trata da árvore genealógica da sua família. Gostaria de saber: quando e como você começou a se interessar por genealogia?

Raul Campani: Um dia eu fui até a casa do meu pai e ele me mostrou a árvore genealógica da nossa família, com os primeiros imigrantes, que vieram da Áustria ao Brasil. Ainda não tinha muita coisa, mas o esqueleto já estava mais ou menos montado. Esta árvore, montada pelo meu tio, irmão do meu pai, foi apresentada no primeiro Encontro da Família Campani, em Pareci Novo (mas vou voltar a este assunto depois). Depois disso eu fiquei muito empolgado, pedi para o meu pai para levar aquela cópia que ele tinha e comecei a pesquisar mais sobre isso. Minha pesquisa foi baseada principalmente através da internet, com contatos de parentes. Criei uma comunidade da Família Campani no orkut e a partir daí comecei a procurar pessoas com o sobrenome Campani naquele site de relacionamento, hoje temos 127 membros naquela comunidade.

Redação: Que legal, então a família toda está envolvida?

Raul: Algumas pessoas sim. Tem um parente nosso, o Carlos Antonio Campani, que mora em Pareci Novo/RS que tem promovido estes encontros. Em outubro do ano passado fizemos o III Encontro dos Descendentes de Ludwig Campani, temos até camiseta do encontro.

Redação: Desde este primeiro encontro com sua árvore genealógica e agora quanto tempo se passou?

Raul: Agora você me pegou, não tenho certeza, talvez tenha uns 6 anos. A comunidade foi criada em outubro de 2004, então são no mínimo 5 anos. A partir daí, fui entrando em contato com as pessoas, convidando-as para participar da comunidade, adicionando-as como amigos, adicionando no msn, e-mail, pedia dados de seus parentes mais próximos, pais, filhos, primos, etc. Interessante que a maioria das pessoas que eu encontrava no site tinha uma ligação com a minha árvore. Com alguns custei muito para conseguir ligar à árvore, mas a maioria tem ligação. No entanto, alguns não estão ligados à ela, pois tem outro(s) ramo(s) da família Campani, cujos antepassados vieram da Europa em outra época. Mas que eu saiba a maioria é descendente de Ludwig Campani, principalmente os do Rio Grande do Sul.

Redação: Gostaria de saber alguns números: quantas gerações estão retratadas, quantos sobrenomes, qual foi o parente mais antigo que conseguiu descobrir e quantas pessoas te ajudam nesta empreitada?

Raul: No meu ramo da família são 6 gerações, porém tem outros ramos dos descendentes de Ludwig Campani, que é o parente mais antigo que descobrimos, que chegaram à 7ª geração. São 3 pessoas que mais se envolveram nesse assunto: o meu tio Kurt, irmão do meu pai, o Carlos Antonio e eu. Esse meu tio inclusive fez uma árvore também e pesquisou também algumas coisas, foi nos túmulos de alguns antepassados nossos. Quanto aos sobrenomes envolvidos, a princípio a pesquisa é baseada na família Campani, porém tem muitos outros sobrenomes que entraram por sua ligação com a família.

Redação: Quais são as maiores dificuldades na pesquisa genealógica? Aconteceu algum caso em especial que pudesse relatar?

Raul: Tive uma certa dificuldade em encontrar a ligação de algumas pessoas com quem eu falava com a árvore genealógica, mas à medida em que a árvore ia aumentando, e eu conseguindo mais informações das pessoas, esses elos foram se unindo. Temos algumas dúvidas ainda. Um parente nosso, o Dante Campani, tinha um documento com o nome de um antepassado dele que não fechava com o que nós tinhamos, mas a maioria dos dados foram fechando, algumas coisas foram alteradas naquele esqueleto que nós tinhamos no início, pois uns de nossos antepassados teve duas mulheres e filhos com as duas e a informação que tinha lá era só com uma. As informações iniciais para a pesquisa foram através da certidão de batismo dos filhos de Ludwig Campani e da Licença para Emigração (de 1868).

Redação: Qual foi a sua maior vitória durante sua pesquisa genealógica?

Raul: Uma coisa interessante que aconteceu foi que uma filha de um Campani, que teve filhos com mais de uma mulher, obteve contato com os seus irmãos por parte de pai. Seus irmão sabiam que ele tinha tido um filho fora do seu casamento oficial e estavam procurando esta pessoa.Uma vitória para mim foi que no último encontro da família eu fui reconhecido pela minha pesquisa, pediram para que eu falasse sobre isso, na verdade eu nem pensava em falar alguma coisa, eu nem tenho muita facilidade para falar em público para muitas pessoas ao mesmo tempo, mas foi bem legal. Quando cheguei no encontro fixei a árvore genealógica que eu havia imprimido, nas paredes do local, com os galhos separados em folhas com cores diferentes umas das outras. Ao chegarmos lá cada um pegava um crachá, onde colocava o nome do seu antepassado (que seria um dos filhos de Ludwig Campani) com a cor correspondente, isso, aliás, foi idéia do Carlos Antonio.

Redação: Vocês já fizeram 3 Encontros com a família toda? Quantas pessoas participaram? Já têm um próximo planejado?

Raul: Sim. Na verdade nunca dá para ir toda a família. No último encontro não foi muita gente, eu não tenho a quantidade exata, mais ou menos umas 60 pessoas. Por enquanto não temos nada planejado, eu até pensei em fazer aqui em Porto Alegre, pois tem muito Campani aqui na capital, mas tudo isso envolve tempo, que nem sempre a gente tem.

Redação: Qual é o seu parentesco com Ludwig Campani? Você teve alguma dificuldade com mudança de grafia? Ou o nome Campani sempre foi escrito assim?

Raul: É o pai do meu bisavô. Olha, entre os Campani, descendentes do meu trisavô, que eu saiba não teve esse problema, porém eu soube que uns Campani descendentes de outra pessoa acabaram ficando com o sobrenome Campany, devido a um erro em um cartório.

Redação: Quais são seus planos para o futuro? Pretende ir além de Ludwig Campani?

Raul:  Uma coisa que eu sempre tive vontade de pesquisar é justamente aquela época em que Ludwig veio pra cá com seus filhos, qual motivo que lhe levou a sair da Europa, por que que eles estavam em Innsbruck, no Tirol Austríaco, se a maioria dos Campani na Europa são da Itália e talvez sim pesquisar mais sobre os antepassados deles. Pretendo pesquisar mais dados sobre os antepassados também, para deixar a árvore o mais completa possível. Pensei em conseguir minha cidadania Austríaca, mas ainda não vi nada sobre isso.

Redação: Que dica você poderia oferecer aos genealogistas amadores, que estão começando agora?

Raul: Na verdade eu também sou amador, pois a pesquisa que eu fiz foi muito informal, através de contato com pessoas no boca a boca, claro tem a base da árvore que foi montada através de documentos. Mas eu aconselharia as pessoas interessadas que sejam persistentes. Tem que dar uma de detetive, furungar, ir atrás, é uma satisfação muito grande ver depois o trabalho que você fez, conhecer pessoas que você nunca tinha visto na vida que estão ligadas a você pelo sangue, pessoas que você tinha ouvido falar, que alguns perguntavam: Você é parente do Fulano de Tal? Pois tem alguns parentes que são mais conhecidos e aí você descobre qual a ligação que você tem com ele, mesmo que seja distante, mas é uma ligação. Assim eu levo como conclusão do meu trabalho que todos viemos de uma mesma origem, estamos todos ligados de alguma maneira.

Raul Campani

Raul Campani

Raul Campani é bancário e artista plástico e genealogista entusiasmado nas horas vagas. Ele tem uma comunidade no orkut para encontrar parentes da família Campani e um site: http://campani.vilabol.uol.com.br/

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Redação – Fifi, você recentemente publicou o livro “Origem – Retratos de família no Brasil”.  O que a motivou a desenvolver este projeto fotográfico?

Fifi Tong – Este projeto começou com uma foto da minha própria família. Minha avó, minha mãe, minha filha e eu. Nós nos vestimos com vestidos chineses, pertencentes à minha avó, usados por ela lá na China, e fiz uma foto para retratar 4 gerações. Só para ter um registro mesmo. Quando fui revelar os negativos eu me apaixonei pelas fotos e naquela hora pensei: nossa isto dava um belo projeto. Comecei bem devagarinho a fotografar, com a ideia de retratar outras gerações de mulheres.

Então, comecei a procurar famílias com várias gerações, quatro ou cinco,  mas no mínimo três. Enquanto eu ia revelando as fotos  fui observando como as pessoas eram parecidas de geração para geração e como certos traços eram herdados pelas gerações posteriores. Assim, resolvi ampliar um pouco o leque, explorando este lado genético: comecei a procurar famílias com várias gerações e em que a semelhança física ficasse evidente nas gerações seguintes. E como constatei que a semelhança não se dava só entre as mulheres de uma mesma família, mas também entre homens e mulheres, por exemplo filhos que eram “a cara” da mãe, resolvi incluir também homens no meu projeto. E aí a coisa começou a ganhar forma de verdade.

O difícil foi achar famílias com muitas gerações. Ficava super feliz quando achava uma de 5 gerações, mas às vezes um retrato de uma mãe e filho ilustrava tão bem a força da genética que eu também permiti fotos só com duas gerações, para comprovar a semelhança física dentro da família.

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Redação – Como o trabalho foi estruturado e quanto tempo levou até o lançamento do livro?

Fifi Tong – Quando tirei a primeira foto, com  a minha família como tema, a minha filha tinha 6 anos, ela fez 21 anos agora, ou seja, foram ao todo 15 anos de projeto. É uma emoção muito grande, como um filho – cujo crescimento e desenvolvimento você acompanha. Mas claro que houve períodos em que eu fotografava mais e, em outros, menos. Paralelamente, eu tinha como objetivo divulgar o trabalho e tentar vendê-lo também. Acho que a parte mais difícil foi encontrar um patrocínio e ter a Lei Rouanet aprovada também.

Redação – Como você encontrou as pessoas que fotografou para o seu livro e como fez para selecioná-las?

Fifi Tong – Eu comecei com as pessoas à minha volta. Com a senhora que trabalha comigo e a filha de 18 anos, mas que na época era pequenininha, parentes e amigos, gente que chegava pra mim e dizia, conheço uma família de 5 gerações lá em Minas Gerais. Daí eu pegava o telefone, ligava pra pessoa, marcava, pegava o carro e ia. Quando fui para Minas, eu fui para fotografar uma família, mas chegando lá as pessoas me diziam: conheço outra família de 5 gerações há uma hora de distância daqui, quer ir até lá? E eu ia.

Em Minas eu montei o cenário no meio da praça da cidade, uma cidade pequenininha , mas foi muito legal, veio um monte de gente. Todos se apresentando, querendo contar sua história e eu fui fotografando, para  depois fazer a edição.

Em resumo, foi muito boca-a-boca e muitas pessoas que me ajudaram na pesquisa também. Tinha mais coisa que eu queria ter feito, mas não deu mais tempo. Depois que consegui o patrocinador eu tinha um prazo para terminar o livro. Mas foi bacana. Depois fiquei sabendo de duas cidades, Veranópolis no RS e uma outra no estado de SP, que são conhecidas pela longevidade, mas não consegui fazer esta viagem. Chega uma hora em que a gente tem que encerrar o projeto e dizer: acabei.

Redação – E você acha que o resultado do livro é um retrato da família brasileira?

Fifi Tong – Eu acho que sim. A família brasileira é este caldeirão de raças. Eu mesma sou brasileira, descendente de chineses, minha filha é brasileira e o pai espanhol e todo brasileiro é marcado pela mistura dos imigrantes que vieram para cá, para construir o nosso país. Então, não tem como definir bem, nós somos produto desta mistura.

Redação – Você comentou que é descendente de chineses. Você já foi até a terra dos antepassados?

Fifi Tong – Não, meus pais são de Shanghai, mas infelizmente ainda não fui até lá. Tenho muita vontade, então estou planjeando esta viagem com calma. Afinal é tão longe, gostaria de ir e passar uns 2 ou 3 meses para ver o máximo possível, de preferência junto com a minha filha, depois que ela se formar. Eu acho que me identificaria com a cultura de lá. Meus pais ainda falam o chinês em casa, o shangainês, não o mandarim, e eu gosto muito da cultura chinesa, mesmo não sendo uma profunda conhecedora. Acho que seria uma oportunidade incrível para eu fotografar também.

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Redação – Os leitores do nosso blog se interessam muito por genealogia. O que você pode dizer a eles sobre este assunto?

Fifi Tong – Bom, eu acho que a fotografia também é um componente importante para a genealogia. Pois a partir do momento em que você clicou, você eternizou um momento. Voltado um pouco ao tema do meu livro, quando você olha mãe e filha, nem sempre você vê diretamente as semelhanças entre uma e outra, mas na fotografia o olhar é outro, é possível perceber melhor detalhes que você não vê no dia-a-dia. Eu tenho um exemplo de mulheres de 5 gerações diferentes, em que você vê os traços sendo passados para a próxima geração, com em um círculo, e é incrível você poder se enxergar um pouco no outro e também saber como você vai ser quando envelhecer.

A família da capa (primeira foto do post) é também uma família interessante no aspecto fotográfico. Você vê uma família embranquecendo, sendo que os traços continuam marcantes, a menina da capa é a cara do avô, ainda que ele seja negro e ela loira de olhos azuis. Gostei muito, aliás, de poder rever esta família (e tantas outras) durante o lançamento do livro. Quando eu tirei a foto a menina estava com 5 anos e quando eu a revi ela já estava com 12. Aliás, foi muito bacana eu ter revisto estas pessoas que fotografei, que foram lá na festa de lançamento com orgulho de terem feito parte do projeto. Pessoas anônimas e simples, com uma beleza incrível.

Num segundo momento do projeto nós pretendemos criar um site, o site Origem, em que as famílias possam mandar suas histórias, mandar fotos e, quem sabe, fazer parte de um segundo livro.

Redação – Fifi, para quem tivesse a ideia de tentar fazer algo parecido para a própria família. De tentar representar gerações da família através das fotos, que conselho você poderia dar?

Fifi Tong – Bom, para começar você tem que tentar juntar todo mundo. Tem que ter paciência para esperar. Eu mesma tive que esperar muitas vezes. Às vezes a avó mora no interior, é velhinha e precisa de ajuda para conseguir chegar, então a logística é importante. E a paciência, claro.

Também tem que saber aproveitar as oportunidades, tipo tem a comemoração de 50 anos de um casal, daí vem aquele monte de parentes, umas 60 pessoas e por que não fazer aquela tradicional foto da família toda reunida? Eu acho tão bonito retratar a família. Não precisa ser só gerações, acho importante retratar momentos que nos marcam, em nossas vidas. Claro que fotos feitas em estúdio são lindas, mas as fotos caseiras também têm o seu charme.

“Origem – Retratos de Família no Brasil”
134 páginas
3000 exemplares
Nas livrarias de todo o país

Exposição de 30 de agosto a 30 de setembro de 2009
Local: Memorial do Imigrante.
Rua Visconde de Parnaíba, 1316 – Mooca.

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entrevista

mariamartaNossa entrevistada deste mês é Maria Fernanda Pereira de Oliveira Matos, ou Maria Matos, como nós a conhecemos de alguns geniais textos e comentários em nosso blog, ela tem 57 anos, casada e mãe de 1 filho. Mora na cidade do Porto em Portugal, é funcionária pública do Instituto da Droga e Toxicodependência do Norte, admite que, se  interferirem em sua liberdade individual, ela fica uma fera. Não é emotiva, é justa, amiga e objectiva, mas também não gosta de pessoas ciumentas e nem mal educadas. (quem é que gosta? ). Iniciou a sua árvore aproximadamente há uma ano e faz as suas pesquisas sozinha, mas recorre algumas vezes aos parentes para pedir informações ou se desloca para os Arquivos Distritais, pois quer documentar e autenticar toda a sua árvore.

MeusParentes pergunta:

Suas intervenções no blog são sempre propícias, você tem o hábito de escrever? Escreve em algum outro lugar? Livro? Jornal?

Maria Matos responde:

Efectivamente gosto de escrever. Até agora ainda não escrevi nenhum livro; nos anos setenta (do século passado) escrevi artigos de intervenção social para um Jornal vespertino do Porto depois colaborei num programa de rádio local sobre literatura e novos talentos literários, actualmente escrevo esporadicamente para uma revista de carácter regionalista mas de tiragem nacional. De quando em vez escrevo em blogues, fóruns e em sites que estão ligados á comunidade (Camâras, Juntas de Freguesia, Instituições do Governo, etc.)
Mas quanto a escrever um livro é uma ideia antiga, e para o qual tenho muito papel rabiscado, até porque será sobre a minha família. Falta-me é disponibilidade e desocupação!

MeusParentes:

Navega muito na internet? quais sites mais gosta?

Maria Matos:

Desde os anos 80 (do século passado) que tenho computador o que faz com que já não consiga “viver” sem este instrumento. Navegar na internet tornou-se um passeio habitual. Os sites que mais visito são - Livrarias, de livros on-line, de Camâras, de Cultura, de música clássica e todos que tenham a ver com História e Direito.

Meus Parentes:

Gosta de livros? Você esta lendo o que agora?

Maria Matos:

Não me perguntaria se gosto de livros porque considero-me uma “viciada” em livros. Vá para onde for, mesmo que seja para ir ver televisão um livro vai comigo de certeza. É-me impossível resistir a entrar numa livraria sem que saía sem comprar um livro. Mas não me interesso por todo o género de literatura! Actualmente estou a ler “Almanaques e prognósticos” de François Rabelais e “Mulheres que escrevem vivem perigosamente”  de Stefan Bollmann com Prefácio de Elke Heidenreich. Sempre acompanho a leitura de prosa com a leitura de poesia mas esses vou á estante tiro um ao acaso, deleito-me com alguns poemas e volto a guardá-lo até á próxima vez. Há sempre também um livro sobre História para fazer leitura de ”consulta” e as revistas que assino. Não leio Jornais, não leio Revistas “cor-de-rosa” parece que aí se diz de “fofoca”.

MeusParentes:

O que você mais gosta no site MeusParentes?

Maria Matos:

O que mais me agrada no site MeusParentes é a simplicidade e facilidade com que podemos trabalhar na nossa Árvore, além de ser gratuita. Aqui também há um site de Geneologia que foi criado em 1996 e que actualmente esta nos top’s da Geneologia europeia. Também começou por ser um site simples, mas o tempo deu-lhe uma directriz comercial e um estilo enfatizado. Apesar disso consulto-o porque tem um Fórum no qual colaboram geneologistas portugueses de renome e deixam bastantes “dicas” e basta inscrever-nos para o utilizar, ainda não se cobram. Depois do seu aparecimento até se abriram empresas que fazem a nossa árvore a custos insustentáveis. Espero que não venha acontecer o mesmo com o vosso…

MeusParentes:

Para quem você indicaria o nosso site?

Maria Matos:

A quem aconselharia o vosso site? A todos mas em especial aos jovens e à terceira idade. Porquê? Como já disse é de fácil preenchimento e tem uma componente de acréscimo de dados sobre a família que considero muito interessante pois não são só nomes que compõem a árvore mas algo sobre as pessoas. Dessa forma ficará um “retrato” para os mais novos e os mais velhos podem deixar o seu para ser recordado. Aliás tenho-me apercebido que os jovens ficam encantados e mostram interesse na sua “descoberta”. Deviam ser incentivados a “passar a palavra”.

MeusParentes:

Deixa aqui alguma sugestão para os nossos usuários?

Maria Matos:

A única coisa que ainda me parece pouco frequentado é o Fórum. Mas talvez porque as respostas ás questões que põem não sejam respondidas com celeridade, mas o Brazil é tão grande e é formado por uma população tão heterogénera que não deve ser fácil encontrarem a “ponta da meada”. Por vezes faço-lhe uma visita mas tenho que reconhecer que não posso ajudar em quase nada. Mesmo que sejam pedidos para Portugal há muita dificuldade em colocar a questão por desconhecimento, perfeitamente correcto, dos nossos usos e costumes.

MeusParentes agradece a Maria Matos sua disposição em nos mostrar o seu perfil e sua vontade em colaborar com o nosso site, agradece também aos inúmeros comentários, inclusive recomendamos que você leitor, leia o texto onde Maria Matos conta sua aventura no dia crucial da Revolução do Cravos, um episódio tão marcante na vida de muitos portugueses e que ela foi testemunha ocular, o texto pode ser encontrado no comentário de nosso artigo “DIA DA LIBERDADE”. postado em 25/04/2009. (basta clicar aqui).

Espero que tenham gostado e por favor comentem esta entrevista e se desejarem fazer mais algumas perguntas para Maria Matos, usem o nosso comentário que ela terá prazer em responder.



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entrevista

Queremos começar aqui uma nova categoria em nosso blog, percebemos que existem algumas pessoas que se destacam pela persistência, pela dedicação e pela experiência em Genealogia. Como muitos aqui nos perguntam constatemente em como fazer pesquisas e montar a sua árvore, vamos escolher, uma vez por mês,  alguns “experts” para uma conversa. Os nossos convidados podem ser profissionais ou “amadores”, mas esperamos que estes papos informais possam trazer para você alguma experiencia, esperamos que gostem de nossa entrevistada deste mês.

Ingrid Conrad Dietrich é de Tramandaí, Rio Grande do Sul, tem 4500 perfis em sua árvore em MeusParentes e conta com a colaboração de 93 membros ativos, casada e mãe de 2 filhos, já está montando a sua árvore a mais de 25 anos.

MeusParentes pergunta: De onde veio o seu interesse por genealogia?ingrid-konrad-dietrich

Ingrid responde: Das histórias que minha avó contava de seus pais imigrantes. Depois também passei a anotar dados de minha família do lado paterno e da família de meu marido.

MeusParentes: Onde você encontra os dados necessários para sua árvore?

Ingrid: Muitas de minhas pesquisas aconteceram em secretarias de comunidades religiosas. Algumas delas, por receberem constantemente pesquisadores atrás de dados de seus antepassados, que constam nos livros de registros antigos, já transcreveram ou estão transcrevendo estes livros e vendendo cópias aos genealogistas, o que facilitou muito, por poder ter o livro em casa e estudar tudo minuciosamente. Atrás de nomes e datas, também encontramos muitas curiosidades, às vezes, até cômicas para os dias de hoje.

MeusParentes: Que curiosidades são estas?

Ingrid: Nossos antepassados, não conheciam muitos nomes próprios diferentes. Geralmente colocavam dois nomes na criança. Se a família era grande, repetiam os mesmos nomes, na colocação inversa dos anteriores. Em todas as famílias existiam os mesmos nomes. Portanto, todos tinham primos, às vezes, uma porção, com o mesmo nome. Se os sobrenomes das famílias também eram os mesmos, isto gerava muita confusão, principalmente hoje, para os pesquisadores. Quando uma criança falecia, era comum colocar o mesmo nome na próxima criança que nascesse, Como antigamente existia muita mortalidade infantil, é comum encontrar muitas famílias com dois ou três filhos com o mesmo nome.

MeusParentes: Mais alguma curiosidade?

Ingrid: Minha avó me contou, que a maioria das crianças pequenas morriam, em consequencia de diarréia, porque as pessoas acreditavam que não se devia dar liquidos para elas, ocasionando muitas mortes por desidratação.

MeusParentes: Quanto aos nomes, existem uma curiosidade que envolve a cultura da época?

Ingrid: Antes da introdução do registro civil, pelos fins de 1800, as pessoas só se baseavam no registro feitos nas igrejas. Os padres ou pastores, anotavam os nomes das pessoas, conforme entendiam e lhes soavam, já que as pessoas eram analfabetas ou semi analafabetas e nem sabiam solterar. Então em muitas famílias surgiam as grafias diferentes, de um mesmo sobrenome. Na família de meu marido, por exemplo, encontrei cinco grafias diferentes para o mesmo sobrenome. Isso faz com que muitas famílias não imaginam que sejam parentes de outra, que escreve seu sobrenome um pouco diferente do seu, e ficam surpresas quando se descobrem na mesma árvore genealógica da outra.

MeusParentes: Em sua página na internet, existe uma seção bastante interessante sobre suas descobertas, as causas mortis.

Ingrid: O cômico nestes “Livros de registros” são as causas mortis encontradas. Quando alguém adoecia, chegar até um médico era muito difícil, porque estes só existiam em grande cidades, que ficava longe, às vezes a dias de viagem em carreta ou lombo de cavalo. Então procuravam pelos curandeiros, ou alguém “mais entendido”, que prescrevia ervas e pomadas caseiras e dava seu diagnósticos. Aí, quando a pessoa falecia, o padre ou pastor, que também não tinha muito conhecimento, mencionava a causa mortis da pessoa, conforme lhe era informado pelo enlutado.

MeusParentes: Pode citar algumas?

Ingrid: Claro, algumas são clássicas como tiffo nervoso; Garrotilho; Retenção de Orina; Esquinencia; Pasmo; Inflação; Febre de 7 dias; Ataque de Orinas; Febre tísica; Moléstia ascites; Moléstia do ar;  Pau que lhe sobreveio por cima (essa é boa); Maligna; Câimbras de sangue; Morreu gasto; Morreu pelo chamamento de Deus; Tiro de marido (era ele ou ela?); Marrada de vaca; Palpitação; Correia da Próstata; Envenenamento por espinho de limão; Puxou um pouco de árvore no terreno; Câncer na cabeça direita. e muitas outras.

MeusParentes: O que você pensa sobre MeusParentes?

Ingrid: Muito bem “bolado”. Achei fantástico, cada membro da árvore poder acrescentar os seus proprios dados, aumentando cada vez mais a ramificação dela, e repartindo a pesquisa com todos os membros.

E então gostaram? deixe aqui seu comentário, gostariamos que vocês nos ajudassem a escrever esta categoria, e todos os meses vamos conhecer alguém interessante e possa nos ensinar alguma coisa. Visite a página de Ingrid.

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