Há alguns anos, a televisão brasileira ainda não tinha a estrutura que tem agora. Era muito comum algumas cidades do interior receberem as imagens chiadas, com fantasmas (os mais novos nem sabem o que é isso), pois o sinal era escasso. Existiam pouquíssimas retransmissoras. Eu deveria ter uns 16 para 17 anos, garotão do interior, impressionado com as novidades que vinham da capital, cinéfilo de carteirinha, (assisti Os Dez Mandamentos mais de 20 vezes, Onze Homens e um Destino, sei lá quantas vezes, e adorava a Marlene Dietrich em Der Blaue Engel (O Anjo Azul), será que a nossa Ingrid é parenta dela?
Naquela época, eu ficava horas, de madrugada, assistindo à Seção Coruja, (rsrsrsrsrs, esta foi forte), e acompanhava todas as estréias e reprises que apareciam. Não existia controle remoto, bons e idos tempos em que se fazia algum exercício para assistir televisão. Então, naquela época, eu assistia a uma série policial muito boa, no último capítulo, no meio do filme, na hora da revelação, o canal saiu do ar. Indignação, raiva, desespero, fui ao quintal, rodei e desrodei a antena, voltei para a televisão, dei um “tapinha” nela e nada de entrar no ar. No outro dia, escrevi uma carta mal criada para o canal de TV, rasguei o verbo, é claro que com educação, mas rasguei o verbo. Feliz da vida coloquei o selo, e entreguei no correio, naquela época nem se pensava em email. Saí contando as bravatas, conto aqui, conto ali, conto acolá (essa é daquele tempo), até que... Alguém riu e me falou que o transmissor era na minha cidade mesmo e, que por falta de energia no local, havia ficado sem sinal a noite inteira. Naquela hora, sem brincadeira, subiu um calor de vergonha, eu devo ter ficado vermelho como um pimentão.
Caramba, a carta já tinha ido, e com o xingamento para a pessoa errada. Eu queria me esconder, fiquei imaginando alguma possibilidade de a carta não ser entregue ou de não ser lida, e cada vez que eu pensava no assunto, vinha a sensação de vergonha, eu jurei para mim mesmo nunca mais escrever nada para ninguém. Depois eu superei e acabei escrevendo mais algumas bobagens pela vida. Mas, uns dias depois, eu recebi uma correspondência, e adivinha, era a resposta da minha carta. Abri com medo de ler a contestação documentada de ter feito uma tremenda burrice. A resposta, muito educadamente, pedia desculpas pela situação de muitos transmissores da TV e esclarecia que eu deveria procurar em minha cidade as razões da queda de sinal, mas, avisando que a emissora deveria reprisar o capítulo em hora e local a ser divulgado, o que aconteceu.
Hoje, eu penso que, se naquela época, eu não tivesse escrito aquela carta, teria culpado para sempre a emissora. Penso também que depois daquela situação, sabendo que alguém sempre lia as cartas enviadas, mesmo que fossem bobagens, valia a pena escrever sempre. Hoje, eu escrevo em todos os lugares, deixo minha impressão, minha opinião e muitas vezes algumas coisas erradas também, mas eu jamais deixarei de escrever, nem que seja em um papel de pão. Invado perfis no Orkut, deixo lá meus scraps, escrevo para sites. Foi assim que eu conheci a REDAÇÃO, eu tenho inscrição em um monte de Fóruns, leio muitos emails por dia e respondo muitos outros, uns são escritos como aquela carta que eu escrevi no passado, mas a maioria é verdadeira jóia de simplicidade e conhecimento de causa. Como é que você acha que eu encontro a história de minha família? Escrevendo, pois alguém sempre responde.
Então, vamos aos fatos, somos 900 usuários neste fórum, quase mil mensagens, alguns escrevem e outros só leem, alguns até gostariam de escrever, mas escrevem e apagam as mensagens. Alguns descobrem coisas escrevendo, outros descobrem coisas lendo, mas uma grande maioria está só lendo, então quem vai escrever?
O nosso fórum passa dias parado, sozinho, sem mensagem, ninguém aqui tem assunto?
Vou dar uma viradinha na antena.
Que tal você expressar a sua opinião, eu coloquei alguns textos aqui que dão bem a idéia de boas discussões, veja o caso dos
“títulos em sua árvore”, duvido que alguém não tenha tido vontade de me contestar. Ou contar alguma
história de amor entre dois antepassados. São vários pontos, em que todos podem
criar seus próprios tópicos.
Agora vem a explicação para este texto. Você sabe o que é um moderador? É o cara chato do fórum, que regula as discussões, interfere quando o debate fica muito caloroso, ajuda e direciona o debate para que ele não saia dos trilhos. Escreve para alguns usuários pedindo textos ou participação. Ou seja, é um coadjuvante do fórum. Meu trabalho aqui é mais de orientação em alguns tópicos, aqueles
tópicos técnicos, lá de cima, nos de baixo, a coisa tem que correr solta. O moderador é o cara que tem o email da equipe, para escrever um email de socorro ou de sugestão e, de vez em quando, solicita alguma coisa para o Ricardo (REDAÇÃO), idéia de algum usuário. Ah! Também escrevo algumas bobagens.
Se você deseja escrever e não sabe se expressar, é função do moderador, disfarçadamente ajudar, para isso é que existe a
“mensagem privada”.
Erros de português? Esquece, porque até 2012 todos nós podemos errar e culpar a Reforma Ortográfica ou o MSN, e, de vez em quando, eu ajudo tbm. Vlew?
O que não pode acontecer com você é não escrever aquilo que você acha que esteja certo, mesmo que você esteja errado, igual àquela carta para a emissora de TV.
Vou terminar como eu termino todos os textos aqui no fórum.
Você concorda? Discorda? Então mande sua opinião.
Um Grande Abraço