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As bananas do cacho
Logo após comer um suculento “macarrão da mama” que, embora não tenha o visual elegante de alguns restaurantes, tem um sabor memorável e sem preço, a conversa sempre vai longe. Também é domingo, dia da preguiça, do sono sem culpa na tarde, de criança correndo, de cachorro latindo. Coisas que só acontecem nas reuniões com os irmãos em volta dos pais. O copo que ainda não esvaziou e vai, gole a gole matando a sede das lendas da família, nascem detalhes que iluminam o passado, detalhes que fazem a imaginação do pesquisador clarear e, deliciosamente, viajar pela memória dos outros. É como o prazer que teria um paleontólogo em tocar a pele de um dinossauro. Uma destas histórias veio me ajudar, e muito, e agora eu vou recontá-la para você, pois, nos detalhes, eu consegui reunir e montar uma “teoria” que tenho tentado provar com a devida documentação, apesar de me faltar o tempo, sobra vontade.
“Eram idos de 1885 (?), a tropa descia pela rua de terra, mais de cem mulas faziam um barulho que chamava os moradores para a rua e as donzelas para a sacada das casas altas, era uma festa na monotonia da vila que nascia e seria um dia cidade. O puxador da tropa era um rico comerciante, que tocava a sua tropa pessoalmente, desconfiado (naquela época uma tropa era coisa de rico). Pela aba do chapéu, viu na sacada em vestido branco, uma pele clara, um cabelo negro, sua futura mulher. Marcou o casarão na memória, desceu a serra decidido, empurrando a tropa. No outro dia, arrumou-se com o linho branco amarelado, colocou sobre a cabeça o chapéu, montou na mula, ajeitou o bolso que estava com o dote e subiu a serra, era uma viagem que duraria algumas horas. Foi até o casarão de sacada. Entrou depois de anunciado, chegou diante de um senhor que carregava a dúvida do encontro e foi dizendo, nome, riquezas e a pretensão de pagar o dote, quase milionário, pela mão da donzela. Diante do tropeiro o espanto do pai da moça fez perguntar quem era a donzela que ele havia visto, e a surpresa do esclarecimento foi seguida de múrmuros que vinham de traz da Porta dos Ouvidos. Mais surpresa ainda, para ele e para a donzela atrás da porta, quando descobriu-se que aquela donzela pretendida já estava comprometida e seria impossível receber do tropeiro o dote. - Mas tome um café e sinta-se em casa, vou mandar minha filha servi-lo. Quando veio o café, em xícaras brancas, as mãos de quem servia, fizeram o tropeiro triste levantar os olhos e perguntar. – E esta donzela? Quem é? - Minha filha menor, de 14 anos que ainda não tem pretendentes. - Então eu fico com esta mesma. Disse o tropeiro, meu bisavô."
Esta historinha foi contada pelo meu tio, e ficou na minha memória, agora ela esta na BIOGRAFIA que existe em todas as fichas de MeusParentes, sabe por quê? Pouco tempo depois, meu tio veio a falecer e eu nunca me esqueci de uma coisa que meu pai sempre falou.
“As bananas quando ficam maduras, se ninguém colhe, caem do cacho todas juntas.”
Eu vou guardando as histórias, conto sem a preocupação de acrescentar nada, só como eu ouvi, no perfil do meu bisavô, dos meus tios, da minha mãe, do meu pai, depois é muito mais fácil, juntar os fios e montar uma pesquisa. Romancear é meu jeito de contar, mas eu não desperdiço nenhum detalhe, como por exemplo, o fato de ter sido um dos primeiros casamentos realizados na “Matriz Nova” de Passa Quatro – MG, algum tempo depois dela ter jogado a bandeja de café no colo dele e fugir para a cozinha. Eu creio que se eu for lá, vou achar o nome dos pais de minha bisavó, e do meu bisavô. Um fato ou uma lenda, que é só questão de confirmar, mas eu sempre estarei a um ponto de mais uma geração. E a cada “lenda” que eu investigo, chego mais perto da pele do dinossauro. Se não for eu, será alguém que leu e investigou. Guarde histórias, guarde acontecimentos, use o espaço BIOGRAFIA disponível nos perfis, é bastante interessante ler os “causos”, pequenas referências de nosso passado. Por favor, comentem, pois eu gostaria de saber como é que você guarda suas memórias e as memórias de seus parentes. Agora, se você desejar contar para todos nós os casos de “romance” de sua família, fique à vontade, nós vamos adorar.
Abraços.
_________________ Walter Olivas .
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