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Eu sempre gostei de piadas inocentes e não existe piada mais inocente do que aquela que envolve crianças, quero contar uma aqui, é lógico que será bem inocente e com criança, com escola e, logicamente, com o Zezinho, Vamos lá. A professora pediu a todos os alunos que fizessem uma redação com o tema, “MÃE SÓ TEM UMA”, e depois de alguns dias, o Zezinho apresentou-se para ler a sua redação, e começou assim: Cheguei da rua, cansado, sujo, arranhado pela pelada com os meus amigos. Logo que abri a porta da minha casa, vi a minha mãe agarrada com o namorado novo no sofá. Ela muito brava gritou comigo e mandou que eu pegasse duas cervejas na geladeira. Eu abri a porta da geladeira e gritei para ela: Mãeeeee, só tem uma. Eu poderia passar horas aqui contando e ouvindo algumas piadas de crianças sem me cansar, pois as crianças são inocentes o bastante para transformar coisas sérias em simplicidade, em inocência e fazer com que nós, adultos, possamos fazer, muitas vezes, uma saudável reflexão sobre o que elas falam. Quem é pai ou mãe, tem muita história para contar, muita coisa engraçada de seus filhos, dá até para colocar um novo tópico aqui do tipo “pérolas de nossos filhos”. Quem não tem? Na década de 90, eu não sei declinar com exatidão, o Governo Brasileiro instituiu novas leis de trânsito, e eu tinha um hábito que envolvia os meus filhos. Acordava cedo, tomava um café com eles e, sempre atrasado, colocava-os no carro e levava todos para a escola. Eu tinha uma Quantum, um desses carros imensos, com janelas também imensas, que eram o divertimento das crianças. Comigo no banco da frente ia o Rafael, e, atrás, a Caroline, e os gêmeos Ricardo e Renan. Minha rotina era simples, deixava o Rafael e a Caroline em uma escola e depois me transformava em juiz de uma pelega diária e eterna, a briga do Ricardo e do Renan pelo banco da frente, ambos queriam visualizar a cidade pelo vidro dianteiro. Sabe quem resolveu esta briga? A nova lei de trânsito, que proibia o transporte de criança no banco dianteiro. Resolvida a questão, na forma da Lei, sobrou para mim a tarefa de explicar aos dois que aquela não era uma decisão minha, mas da preocupação dos governantes com a segurança das crianças. Naquela manhã, em que a Lei começou a vigorar, coloquei os quatro no banco de trás, o Rafael, maiorzinho nem se alterou, mas quando eu o deixei na escola, veio a pergunta: quem vai na frente? Expliquei direitinho a Lei, e o perigo de crianças no banco da frente, que, em caso de acidente, poderia a criança até perder a vida. O Ricardo, meio em dúvida questionou: - Mas em caso de acidente, o meu pai está na frente, então ele pode morrer? Óbvio. Mas o Renan foi conclusivo e lógico. Mais que depressa, respondeu: - Ricardo, para de ser burro, você não pode morrer, mas pai a gente arruma outro... O que me fez, antes de rir, levar a mão na direção dele, que desviou ligeiro. Sem risos. Rsrsrsrsrs Nas duas inocências, podemos ver que, muitas vezes, levamos a sério demais as coisas simples. Uma grande parte de consultas a meusparentes se resume em saber se os pais biológicos podem ser suprimidos, eu digo que não. Eles existem e vão existir sempre, não importa o caminho que aquela família tenha tomado. Se estiverem separados, também continuarão a existir sempre, então por que não citar a sua existência? Assim como as crianças, existem verdadeiras pelegas sobre este assunto, uns acham que devem incluir os pais biológicos outros acham que não, pois assumiram as crianças ainda bebês, e bota discussão aí. E também existe o caso dos que querem que não se coloquem as mães, já que foi um “caso passageiro” do atual marido. Tá bom. Deixa de lado, não coloque. Um dia esta criança cresce, descobre que “tinha” um pai ou “mãe”. Parece brincadeira, mas é sério, e sabe quem resolveu isso? Mais uma vez a Justiça. Registro agora só com pai e com mãe. E em genealogia, vale o registro. E se tiver dúvida, vai tirar sanguinho para o teste de DNA. Eu queria mexer neste vespeiro, porque é delicado e muita gente aqui trata o assunto nos “escurinhos”, escondido, a meias palavras, isso ainda é um tabu. Um dia destes, para um usuário, não servia nem ex-marido, nem ex-companheira, então era um ex-caso? Imagina esta criança quando crescer e descobrir que nasceu de um ex-caso. É um descaso com a pessoa. Minha opinião é que mesmo que tenha havido o reconhecimento jurídico do filho, o pai ou mãe biológica devem constar, pois qualquer relacionamento, por menos tempo que tenha tido, por mais rápido que possa ter sido, se gerou um outro ser, é um relacionamento. Imagina se Ann Duhann , de família tradicionalista, escondesse o “pai” de seu filho, não lhe desse o nome do pai, será que Barak Hussein Obama II, seria o homem que é hoje? Será que se suas frustrações, dúvidas e insatisfações teriam o levado até onde chegou? A resposta é uma só, não sabemos o futuro, ele é como o vidro dianteiro de um carro, algumas vezes, veremos belas paisagens, outras vezes paisagens medíocres, mas, quem está na direção deve sempre enxergar muito além do vidro, mesmo correndo o risco de ser a única vítima.
_________________ Walter Olivas .
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